o BloG dA pRofA











{Junho 15, 2012}   A assembleia dos ratos
Imagem

Ilustração: Gustave Doré

A assembléia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembléia para o estudo da questão.  Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

– Acho — disse um deles — que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.

Palmas e bravos saudaram a luminosa idéia.  O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra, um rato casmurro, que pediu a palavra e disse — Está tudo muito direito.  Mas quem vai amarrarar o guizo no pescoço de Faro-Fino?

Silêncio geral.  Um desculpou-se por não saber dar nó.  Outro, porque não era tolo.  Todos, porque não tinham coragem. E a assembléia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Dizer é fácil; fazer é que são elas!

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.



{Dezembro 9, 2011}   Cecília Meireles

Fio

 

No fio da respiração,

rola a minha vida monótona,

rola o peso do meu coração.

 

Tu não vês o jogo perdendo-se

como as palavras de uma canção.

 

Passas longe, entre nuvens rápidas,

com tantas estrelas na mão…

 

— Para que serve o fio trêmulo

em que rola o meu coração?

Para saber mais: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(16)14-25.html

😉



{Outubro 16, 2011}   Premissas da vida

Se o amor fosse verdadeiro
Tudo sairia do mesmo ciclo rotineiro
Não existiriam falsas promessas, meu amor
Como uma dessas que você vive a citar.

Se o amor não fosse verdadeiro
Tudo pararia, não importando os derradeiros
Não existiriam verdadeiras analogias
Como a imperfeição de cada palavra sua.

Ah! Se o amor fosse o meu roteiro
Tudo aconteceria nas margens da imaginação
Pois a cada feito, haveria sempre um defeito.

Logo, a cada premissa haveria você
E a cada nova premissa haveria o amor
A conclusão, ficaria a cargo do coração.

Gabriel Moreira



{Setembro 20, 2011}   Urupês – Monteiro Lobato

O Engraçado Arrependido

Francisco Teixeira Pontes tinha 32 anos
Todos riam de suas piadas sem parar
Ele era um comediante natural
Mas um dia, com sua fama resolveu acabar

Ele queria virar um homem sério
Queria ser alguém como qualquer um
Tinha cansado da própria vida
Queria ser um homem comum

Tentou vários empregos
Mas com “qua qua qua” era respondido
Riam apenas de citar seu nome
Achou que já estava perdido

Então foi que ele soube de um emprego
Um de coletor federal
Mas era ocupado pelo Major Bentes
Que tinha um aneurisma fatal

Francisco contratou seu primo
E este lhe prometeu o cargo de coletor
Seria avisado logo após da morte do Major
Então Pontes planejou o assassinato com ardor

Sendo um comediante pensou
“Vou matar o Major de rir!”
O aneurisma não iria aguentar
Fazê-lo dar risada, ninguém pode me proibir

Indo a coletoria fazendo pequenos trabalhos
Conquistou o Major de pouco em pouco
Então finalmente Pontes o convidou para jantar
Para tentar fazê-lo rir como louco

Mas o plano não deu muito certo
O Major tinha cuidado com o aneurisma
Ria apenas timidamente
Pontes tinha que melhorar seu carisma

Pontes, porem pensou
“Todo homem tem seu ponto fraco”

Os do Major eram ingleses e frades
Enfim conseguiria por o velho no buraco

Depois de muita preparação
Criou uma anedota de um inglês, sua mulher e dois frades
Se o Major sobrevivesse
Prometeu dar um tiro na cabeça com toda a vontade

Então em um almoço no carnaval
Pontes começou a contar a piada
Major Bentes estava atento e adorando
E o momento do fim se aproximava

Pontes finalizou sua obra-prima
Em um ato rápido e cômico
Major Bentes riu mais alto que todos
Com um riso tragicômico

O Major caiu de cara no peixe e ali morreu
Apesar de ser planejado, Pontes se chocou
O assassino indireto correu pra casa
E lá por dias se trancou

Seu primo o ligou com péssimas notícias
A vaga de coletor já estava tomada
Pontes além de chocado, ficou sem emprego
Desejou nunca ter feito aquela piada

Pontes foi achado enforcado por uma ceroula
Um mês depois do assassinato do Major
Foi motivo de piada para toda a cidade
Então se ouvia, novamente, “quás” ao seu redor

 

http://prezi.com/vfwkhdyuzzb7/o-engracado-arrependido/

 

 

Trabalho maravilindo realizado pelas alunas Hevelin Sato, Maria Victória Garcez, Ana Lucia Faucz, Paola Gomes e Vitor Emanuel.

Parabéns! 



{Agosto 28, 2011}   Talentos

O talento artístico se manifesta em muita gente desde cedo. Não apenas na poesia, na música, nos esportes. No desenho também.

Fiquei impressionada com o talento de um dos meus alunos e divulgo alguns de seus desenhos.

Guilherme Furtado, Parabéns!



{Agosto 25, 2011}   LeMinsKi aNo

Aqui tou eu pra te proteger dos perigos da noite, do dia

Sou fogo, sou terra, sou água, sou gente, 

eu também sou filha de Santa Maria

Desencontrários (Paulo Leminski)

   Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
   Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
   Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

   Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
   Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
   para conquistar um império extinto.

Dia 24/08 (quarta-feira), o escritor curitibano Paulo Leminski completaria 67 anos. Para comemorar a data, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-PR) abrem a exposição “Clics em Curitiba”, com 24 painéis de fotos de Jack Pires associadas a poemas de Leminski, considerado um dos escritores brasileiros mais importantes da segunda metade do século 20.

As imagens e os textos foram originalmente publicados no livro “Quarenta Clics em Curitiba”, lançado pela dupla em 1976. A abertura da mostra é às 19h, em seguida, às 19h30, será exibido no Auditório Paul Garfunkel o documentário “Ervilha da fantasia – uma ópera Paulo Leminskiana”, do cineasta Werner Schumann

A programação ainda conta com a leitura dramática do texto “O dia em que morreu Leminski”, escrito pelo jornalista e dramaturgo Rogério Viana, também no auditório, às 17h30. A leitura é dirigida por Léo Moita e tem participação dos atores Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos.

Jack Pires foi um fotógrafo paulista radicado durante muitos anos em Curitiba, onde desenvolveu diversas atividades na Fundação Cultural de Curitiba e trabalhou em importantes estúdios fotográficos. Realizou, nos anos 1970 e 1980, valiosos registros do cotidiano da capital paranaense, num estilo que foi comparado ao de Henri Cartier-Bresson. Em 1976 convidou Leminski para associar seus poemas a diversos flagrantes registradas nas praças e ruas da cidade. O resultado é um livro de grande valor artístico e documental. [imprensa@seec.pr.gov.br]

Serviço:

Clics de Curitiba

Exposição de fotos do livro “Quarenta Clics em Curitiba”

A partir de 24 de agosto, às 19h

Visitação até 24 de setembro – Hall de entrada

Biblioteca Pública do Paraná – Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba.

Entrada franca

Mais informações: (41) 3221-4917

Veja mais: http://www.youtube.com/watch?v=MHkya98tKgs

Leia mais: 

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://www.releituras.com/pleminski_menu.asp

http://www.kakinet.com/caqui/leminski.htm



A peça de teatro solicitada pela UFPR para o vestibular deste ano não é fácil de ser encontrada.

Ela faz parte do Projeto Ágora, que conta com um espaço para publicações em seu site, e “ESTE ESPAÇO VISA INCREMENTAR A VEICULAÇÃO DAS IDÉIAS E DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PUBLICAÇÃO DE LIVROS, QUE SERÃO, SEMPRE QUE POSSÍVEL, DISPONIBILIZADOS GRATUITAMENTE NO SITE DO TEATRO PARA DOWNLOAD.”

A peça, que começa a partir da página 289,  é muito boa, numa linguagem extremamente fácil e sua leitura leva no máximo 1 hora. Contudo, nada impede que se leia o livro todo que está uma beleza!

Então segue o link: http://www.agorateatro.com.br/agorateatro/wp-content/uploads/2007/09/agora_livre_dramaturgias_miolo.pdf

Boa leitura!



{Agosto 22, 2011}   Sedução Poética 2011

Cora Coralina

Doceira por vocação, poetisa por natureza 

122 anos

Não sei se a vida é curta ou longa para nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe, braço que envolve,

palavra que conforta, silêncio que respeita,

alegria que contagia, lágrima que corre,

olhar que acaricia, desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta,

nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe

e aprende o que ensina.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver


/


Leia mais: http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm

http://www.senado.gov.br/noticias/fibra-de-cora-coralina-e-lembrada-como-exemplo-em-sessao-no-senado-nesta-terca.aspx

http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/



{Agosto 7, 2011}   Sedução poética

Discurso – Cecília Meireles

E aqui estou, cantando. 

Um poeta é sempre irmão do vento e da água: 
deixa seu ritmo por onde passa. 

Venho de longe e vou para longe: 
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho 
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram. 

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória, 
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel. 

Pois aqui estou, cantando. 

Se eu nem sei onde estou, 
como posso esperar que algum ouvido me escute? 

Ah! se eu nem sei quem sou, 
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
(Meireles, 1982, p.17)

 

Arte Poética 

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

 

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges (1960)
Leia mais: http://www.webartigos.com/articles/61658/1/A-METAPOESIA-EM-VIAGEM-DE-CECILIA-MEIRELES/pagina1.html#ixzz1UJ3UaGO5



{Agosto 2, 2011}   Pequeno Cineasta

Foram prorrogadas as inscrições para o 2o.Festival Internacional Pequeno Cineasta. Os pequenos realizadores interessados devem se inscrever até 08 de agosto de 2011.

Crianças e jovens, de 08 a 17 anos, do mundo todo, podem inscrever seus filmes. Serão aceitos filmes de até 10 minutos de duração, nos gêneros de ficção, documentário, experimental e animação. A inscrição é gratuita.

O Festival será realizado em novembro deste ano na cidade do Rio de Janeiro. Além das Mostras Competitivas, haverá espaço para debates com profissionais das áreas de Cinema e Educação. Maiores informações estão disponíveis no site: www.pequenocineastafest.com.br



{Julho 30, 2011}   Grades Para Inocentes
Queria ser como pássaro
Voar, sem me preocupar
Voar e sentir o doce toque do ar
Queria apenas voar.

Logo, sou um pássaro
Pois aprendi a cantar
Aprendi a encantar
Mas logo não sei voar.

Minha beleza cobiçaram
Em grades me pregaram
Minhas asas atrofiaram.

Hoje sei o que é tristeza
Antes tinha leveza
Por favor devolvam minha pureza
Cobiçadores de riquezas.

                          Gabriel Moreira


{Junho 28, 2011}   Memórias do subsolo

VIII

– Ha, ha, ha! Mas essa vontade nem sequer existe, se quereis saber! – interrompeis-me com uma gargalhada. – A ciência conseguiu a tal ponto analisar anatomicamente o homem que já sabemos que a vontade e o chamado livre-arbítrio nada mais são do que…

– Um momento, senhores, foi justamente assim que eu mesmo quis começar. Cheguei até a me assustar, confesso. Ainda agora, quis gritar que a vontade depende diabo sabe do quê, e que talvez se deva dar graças a Deus por isto, mas lembrei-me da ciência e… me detive. E nesse instante começastes a falar. E, com efeito, se realmente se encontrar um dia a fórmula de todas as nossas vontades e caprichos, isto é, do que eles dependem, por que leis precisamente acontecem, como se difundem, para onde anseiam dirigir-se neste ou naquele caso, etc. etc., uma verdadeira fórmula matemática, então  o homem será capaz de deixar de desejar, ou melhor, deixará de fazê-lo, com certeza.  Ora, que prazer se pode ter em desejar segundo uma tabela? Mais ainda: no mesmo instante, o homem se transformará num pedal de órgão ou algo semelhante; pois que é um homem sem desejos, sem vontades nem caprichos, senão um pedal de órgão? Que pensais disso? Calculemos as probabilidades: pode tal coisa acontecer ou não?

– Hum… – retrucais. – As nossas vontades são, na maior parte equívocos devidos a uma concepção errada sobre as nossas vantagens. Se queremos às vezes um absurdo completo, é porque vemos nesse absurdo, devido à nossa estupidez, o caminho mais fácil para atingir alguma.

De fato, se a vontade se combinar  um dia completamente com a razão, querer algo desprovido de sentido e, deste modo, ir conscientemente contra a razão e desejar aquilo que é nocivo a nós próprios… E visto que todas as vontades e todos os raciocínios podem ser realmente calculados – pois algum dia hão de se descobrir as leis do nosso suposto livre-arbítrio -, então, deixando-se de lado as brincadeiras, será possível elaborar um espécie de tabela, e nós passaremos realmente a desejar de acordo com esta.

Durante toda a vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele.

Mesmo nos meus devaneios subterrâneos, nunca pude conceber o amor senão como uma luta: começava sempre pelo ódio e terminava pela  subjugação moral; depois não podia sequer imaginar o que fazer com o objeto subjugado. E o que há de inverossímil nisso, se eu já conseguira apodrecer moralmente a ponto de me desacostumar da “vida viva”…

 

Fiódor Dostoiévski

 



A’ Santa Thereza 

.

Reza de manso… Toda de roxo,

A vista no teto preza,

Como que imita a tristeza

Daquele círio trêmulo e frouxo…

.

E assim, mostrando todo o desgosto

Que sobre sua alma pesa,

Ela reza, reza, reza,

As mãos erguidas, pálido o rosto… 

.

O rosto pálido, as mãos erguidas,

O olhar choroso e profundo…

Parece estar no Outro-Mundo

De outros mistérios e de outras vidas.

.

Implora a Cristo, seu Casto Esposo,

Numa prece ou num transporte,

O termo final da Morte,

Para descanso, para repouso…

.

Salmos doridos, cantos aéreos,

Melodiosos gorgeios

Roçam-lhe os ouvidos, cheios

De misticismos e de mistérios…

.

Reza de manso, reza de manso,

Implorando ao Casto Esposo

A morte, para repouso,

Para sossego, para descanso 

.

D’alma e do corpo que se consomem,

Num desânimo profundo,

Ante as misérias do Mundo,

Ante as misérias tão baixas do Homem!

.

Quanta tristeza, quanto desgosto,

Mostra na alma aberta e franca,

Quando fica, branca, branca,

As mãos erguidas, pálido o rosto…

.

Leia mais:

http://conhecimentopratico.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/27/artigo206904-1.asp

 http://saopaulourgente.blogspot.com/2009/03/musa-impassivel-na-pinacoteca.html

 



{Junho 17, 2011}   O despertar da primavera

Parabéns às formandas e aos formandos!



{Junho 11, 2011}   Bloomsday



{Abril 29, 2011}   Aula de português

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade

***************************************************************************

Língua –  Caetano Veloso

Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Gosto de ser e de estar

E quero me dedicar a criar confusões de prosódia

E uma profusão de paródias

Que encurtem dores

E furtem cores como camaleões

Gosto do Pessoa na pessoa

Da rosa no Rosa

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade

E quem há de negar que esta lhe é superior?

E deixe os Portugais morrerem à míngua

“Minha pátria é minha língua”

Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

O que quer

O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas

E o falso inglês relax dos surfistas

Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!

Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda

E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate

E – xeque-mate – explique-nos Luanda

Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo

Sejamos o lobo do lobo do homem

Lobo do lobo do lobo do homem

Adoro nomes

Nomes em ã

De coisas como rã e ímã

Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã

Nomes de nomes

Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé

e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

O que quer

O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção

Está provado que só é possível filosofar em alemão

Blitz quer dizer corisco

Hollywood quer dizer Azevedo

E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo

A língua é minha pátria

E eu não tenho pátria, tenho mátria

E quero frátria

Poesia concreta, prosa caótica

Ótica futura

Samba-rap, chic-left com banana

(- Será que ele está no Pão de Açúcar?

– Tá craude brô

– Você e tu

– Lhe amo

– Qué queu te faço, nego?

– Bote ligeiro!

– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!

– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!

– I like to spend some time in Mozambique

– Arigatô, arigatô!)

Nós canto-falamos como quem inveja negros

Que sofrem horrores no Gueto do Harlem

Livros, discos, vídeos à mancheia

E deixa que digam, que pensem, que falem.





{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 33

Ao meu redor, giram letras, palavras, músicas e poemas. Não sei em que momento de minha curta vida comecei a ouvir cada palavra e a entender cada música. Apenas sei que foi a partir desse momento que minha vida mudou.

Eu queria ler tudo o que via pela frente, desde livros a placas de carro, afinal eu tinha descoberto um mundo novo. Eu ainda lembro das broncas que eu levava quando lia durante as viagens, minha mãe dizia que eu ia passar mal, mas depois de um tempo ela desistiu de me contrariar.

Minhas recordações nunca vão mudar, mesmo as palavras mudando, minha vida ao lado das palavras continuará, mesmo sabendo que elas não ligam para quem está lendo.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 32

O princípio das letras

No começo do ano da primeira série começamos aprender as letras. Muito difícil no começo! Aquele jogo de letras embaralhava minha cabeça.

Aos poucos fui descobrindo um mundo mágico da leitura com ela fui me aperfeiçoando cada vez mais nas redações e sempre querendo descobrir as coisas novas ao meu redor.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 31

Meus primeiros contatos com as letras foi quando minha mãe me ajudava com as tarefas de escola, quando eu comecei a sair de casa também. Via muros escritos, que então eu tentava copiar a forma das letras desenhando-as em um papel. Após alguns anos eu comecei a ler muitos livros e parei, porque acabei ficando sem interesse. Foi assim que eu tive a maioria dos meus contatos com as letras, a maior parte que eu me lembro da minha infância, pois a maioria das coisas que eu fazia eu acabava me esquecendo após alguns dias.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 30

O primeiro contato com as letras, que é o essencial para o homem é algo inexplicável para uma criança. pois são as experiências novas, das quais ela irá ter que aprender a lidar.

Épocas boas que não voltam mais, quem diria que eu ao crescer e ter descoberto aquelas letrinhas descobriria um pouquinho do que é o mundo, elas que eram tão difíceis de serem desenhadas, mas quando conseguia era uma alegria.

Momentos que não voltam mais.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 29

Lembro-me como se fosse ontem quando entrei chorando naquela pequena escola, quando olhei para dentro de uma daquelas salas, mais criancinhas como eu, chorando pedindo aos pais, foi naquele momento que me senti tranquilo, pois eu não era o único ali. Após alguns dias as professoras foram me mostrando risquinhos que se juntaram com outros risquinhos, que as professoras chamavam de letras e palavras, e essas letras vinham com musiquinhas e essas musiquinhas sempre seguiam uma ordem de letras que se chamava alfabeto, foi com o passar do tempo que comecei a ver essas letras de uma forma diferente, tão diferente que hoje não vivo mais sem meus risquinhos.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 28

 

Do passado para o presente, pois tudo que nós fazíamos sem responsabilidade sem a obrigação sem deveres não precisa ter horários, limites são poucos, apenas a diversão.

Um que nunca mais vai voltar se pudéssemos voltar para ter tudo de novo.

A escola era diversão aprender era um modo de se divertir na época, aprender a ler e a escrever era divertido.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 27

Não sabia que aos nove meses de idade eu saberia andar e aos 2 anos entrar na escola e aprender a língua portuguesa nunca gostei muito, mas agora eu vejo a importância disto aquelas palavras, tantas, regras e tantos nomes, mas as palavras fazem parte da minha vida.

O meu primeiro contato foi um desastre, eu escrevo muito mal, desde lá mas mesmo assim consigo e conseguia. Odeio escrever e sempre odiei, mas vou vivendo assim, não sou ninguém e todos serão ninguém na vida se não souberem escrever.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 26

A minha relação com as letras começou treze anos atrás quanto meus pais começaram a me ensinar até a hora de eu ir para a escola que fui me aperfeiçoando como escrever e a ler as palavras e as letras, para mim foi a melhor coisa do mundo que hoje tudo mexe com o estudo, mesmo que não mexesse foi muito bom começar a usar as letras de forma correta, mas há várias pessoas que tem oportunidade de aprender e não querem nem saber, mas eu estou aproveitando a minha oportunidade, quem sabe daqui cinco anos eu seja um arquiteto, estou lutando para isso acontecer.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 25

Desde os meus primeiros meses de vida estive em uma escola, mas só fui entender o porquê que eu ia todos os dias naquele lugar quando estava passando da primeira série pra a segunda, pois é nesse período que começamos a entender o que é aquelas tais letras que as “tias” tentam nos dizer que B com A fica BA e assim vai.

No começo, todos nós brincávamos com aqueles cubos que tem uma letra em cada lado, eu tentava formar tudo e qualquer coisa que passava pela cabeça, mas nunca saia nada até que um dia aprendi a escrever meu nome, escrevia várias vezes e  sempre perguntava para minha mãe se ela sabia o que tava escrito.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 24

Quando você ainda é pequena tem aquela vontade enorme de poder escrever ou ler e não consegue e começa a pegar seus primeiros livros de literatura infantil e uma folha de papel e nela você  tentava escrever o alfabeto, tentando juntar as letras para ver se uma palavra sairia no papel.

A primeira vez que comecei a tentar escrever, colocava letra daqui e letra dali, letras maiores que as outras, letras de ponta cabeça, e para mim é como se eu estivesse escrevendo um monte de coisas, enquanto no papel nada mais nada menos do que várias letrinhas rabiscadas. E depois como o maior orgulho mostrava para meus pais o quanto eu sabia fazer, e o quanto eu ficava feliz de saber que eu sabia o alfabeto.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 23

Até hoje me lembro de quando comecei a manipular essas pequenas coisas. Era algo tão estranho, e divertido ao mesmo tempo. Algo tão novo para mim foi, a timidez  com elas era algo inexplicável, algo tão estranho, e com tanta importância.

E agora? Parece que fazem parte de mim, estão em todo lugar. O mais divertido, era que, essas pequenas letras juntavam, fazendo algo extraordinário chamado palavras. Ficava, confuso, mal entendia as letras e agora existem as monstruosas palavras!

Bem, algo tão magnífico que agora são lembranças. Agora só resta usá-las, para que fim? Aprendemos para nos comunicar, algo que começou bobo, só que ficou complexo. Recordar como era divertido vê-las e não entendê-las, infelizmente, só aprendemos uma vez.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 22

Anos atrás foi como um bicho de sete cabeças para mim. Eu imaginava que jamais conseguiria, mas com isso eu aprendi que desperta a imaginação, sonhos e ainda mais vontade de conhecer mais e mais o mundo das letras.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 21

As letras despertam saudades nas pessoas, pois quando uma pessoa lembra do passado, ela sabe que não pode voltar e a única lembrança que tem de seus anos anteriores são as palavras.

Para uma pessoa lembrar do passado pode ser triste ou feliz, depende de suas lembranças, de suas crenças.

Para mim, o jogo de palavras traz lembranças de um tempo bom, onde não havia responsabilidades e nem cobranças. Uma época onde eu podia ser eu mesma sem me preocupar com o que as outras pessoas pensam. Uma época feliz.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 20

Na verdade acho que sempre tive mais contato com os números, mas lembro de todas as noites meu pai lendo algumas páginas de um livro para mim, que particularmente não sei da história até hoje. É alguma coisa com Capelo Gaivota; um livro de capa dura azul, com o título escrito em prata, não deve ser o tipo de livro que se lê para uma criança.

Lembro do primeiro livro que eu mesma li. Até hoje não sei pronunciar o nome, e também não lembro como se escreve. Mas é uma história conhecida, em que a filha paga uma dívida do pai, se casando com o rei. Por algum motivo, ela teria que transformar palha em ouro e assim se desvenda a história.

O que acho legal é que o primeiro livro que li sozinha quando criança fazia e faz muito mais sentido do que o que o meu pai lia perfeitamente e diariamente para mim.

 

Este é o filme que marcou uma geração e transformou o livro de Richard Bach num best-seller que vendeu 40 milhões de cópias e viajou por 70 países do mundo. Foi indicado ao Oscar® 1974 (Melhor Fotografia e Melhor Montagem) apresenta uma trilha sonora ganhadora do Grammy® e do Globo de Ouro®, do lendário Neil Diamond.



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 19

Primeiro ABC

Na entrada da escola a mãe se despede da filha, o primeiro dia de aula da vida inteira, tão entusiasmada para ver a professora, os colegas e todas as novidades.

Quando a professora começa a falar das “tais” letras que tanto queria conhecer fica feliz, mas assustada por tanta coisa nova. Sentia que era tão difícil escrever a primeira letra, o nome inteiro nem se fale.

Hoje fica uma linda recordação da sua primeira letra, e uma grande saudade. O que “ontem” era difícil hoje é mais do que uma das coisas que ela mais usa, e não importa se é o português, matemática ou biologia, ela ainda usa o ABC.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 18

Tenho muita saudade de quando estava aprendendo a escrever, não me lembro em que série foi, eu não sabia escrever direito ainda e tive que fazer uma carta para minha mãe, a carta ficou bem feia, mas foi de coração, até hoje minha mãe tem ela, eu sempre escrevia, chegava em casa e ia escrever, até eu chegou um tempo, eu conheci o computador e parei de escrever.

Lá pela terceira série a professora começou com a ideia de fazer um teste para ver quem podia escrever de caneta e dali em diante e eu passei.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 17

Meus primeiros contatos com as letras um dia foram inesquecíveis, porém, hoje em dia nem consigo lembrar direito.

Talvez seja porque eu era muito criança, talvez porque eu tenho a memória ruim, não me lembro muito bem dessas imagens. Mas dos sentimentos… talvez eu lembre.

Eu aprendi a ler quando era bem novo, com a minha mãe, em casa. Era fantástico ver todas aquelas letras, algumas simplesmente redondinhas, ou então, o que era ainda mais fantástico, algumas belas iluminuras, que iniciavam cada bela história.

Com o tempo, um pouco de encantamento passa, mas as lembranças permanecem vivas.



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 16

Letras são muito estranhas quando não sabemos o que são, as primeiras vezes que tive contato com as letras não entendia nada, ficava curioso para saber porque as pessoas ficavam olhando aquelas letras, era algo muito curioso. Até que entrei na escola e lá havia muitas letras e livros, por sorte, a professoras começou a explicar tudo. Quando cheguei em casa, peguei a revista que todos ficavam olhando e comecei a juntar os sons das letras e consegui ler minha primeira palavra. Aquilo foi um momento muito feliz que nunca vou esquecer, e agora entendo que aquelas letras estranhas eram na verdade algo muito importante que vão me ajudar muito na minha vida e no meu futuro.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 15

A primeira vez em que eu comecei a aprender sobre as letras foi no pré 1, em que eu estava aprendendo a escrever vendo os sons das letras, vendo como se escrevia cada letra e tentando muitas vezes criar frases, palavras que para mim eram meio trabalhosas. No pré as professoras não davam coisas pra gente ler e escrever, apenas para recortar e colar, enfim, pré 1 do que estou falando.

Mas mesmo sem muito incentivo, eu tinha curiosidade em aprender sobre as letras, ler, escrever, etc. Depois de um tempo, quando eu já estava na primeira série, (ensino fundamental) eu queria ler livros e lia mesmo, com vontade mesmo. Os livros de primeira série eram pequenos, mas para mim eram fascinantes as histórias, pois eram poucas as já lidas por mim e hoje eu gosto de ler, gosto muito, mas para que eu me interesse pelo livro ele deve ser muito bom.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 14

A primeira vez que eu tive contato com as letras foi quando eu estava aprendendo a ler e escrever. Claro que antes eu via algumas letras, mas não tinha noção do que estava escrito.

Para mim as letras são muito importantes, pois sem elas eu não iria ter um futuro, não iria chegar até onde estou hoje, não estaria pensando em faculdade. Eu seria uma analfabeta e meu futuro não teria nada de bom.

Pode até ser que depois de terminar meus estudos eu sinta saudades da escola, das letras que eu aprendi e me proporcionaram um futuro melhor. Vou passar tudo o que eu aprendi para os meus filhos, para os meus netos, que vai passando de geração em geração. E eu garanto que vão fazer tudo certo.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 13

Foi quando na infância, assistindo aos programas e propagandas de televisão onde passavam as letras, às vezes em algum anúncio, eu acredito que foi esse o primeiro contato com as letras, pois não me lembro de qual foi a primeira palavra que tenho falado.

Quando entrei em uma escolinha, foi a primeira vez em que pude ter um contato maior com a escrita, com as palavras, mas ainda não escrevia nem lia.

Como era boa a infância, onde você não se preocupava com provas, tarefas e etc; tarefas que hoje têm que ser cumpridas. Mas é muito bom relembrarmos daquele tempo mesmo que não possamos lembrar de tudo o que fizemos, mas às vezes até isso é bom, pois às vezes nos deixa tristes.



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 12

Meus primeiros contatos com as letras foi quando eu comecei a ir para a escola, lá eu aprendi várias letras. Mas agora eu acabei esquecendo como eu tive meu primeiro contato com as letras, mas isso não me importa mais, porque eu já sei andar entre outras coisas e agora eu estou aprendendo muita coisa nova. E agora tudo o que eu já aprendi fica na lembrança, pois eu já aprendi várias coisas importantes para usar no meu dia-a-dia, mas hoje eu já não me lembro de mais nada, pois minha mente não é boa, mas eu estou me esforçando para não esquecer mais nada pois, eu quero ser alguém na vida e ter uma família boa.



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 11

Meus primeiros contatos com as letras

Tudo isso começou na minha casa, eram meados de 2000. Eu acabei ganhando de presente de minha mãe ou da minha avó um conjunto de cubinhos, que vinha com todas as letras do alfabeto, inclusive Y,K,W. Vinham 5 letrinhas em cada cubinho daqueles. Com tudo isso, aprendi a escrever meu nome completo, o da minha família e a formar novas palavras.

Dá uma saudade daquelas disso tudo, é também uma pena que não dá para voltar atrás no tempo. Por isso que eu digo pra mim, o jogo das letras deixa sempre deixará saudades.

 



{Novembro 7, 2010}   Memória Escrita 10

O meu primeiro contato com a letra foi na escola no pré, eu comecei a ver as letras e brincar com elas porque naquela época eu brincava com as letras não ficava observando as letras o significado delas não montava nenhuma frase ainda. Sempre eu pegava a letra A para brincar porque eu gostava dela, sempre mesmo quando outras crianças pegavam a letra A eu ficava triste, porque não era eu que estava com a letra A.

 



et cetera