o BloG dA pRofA











{Junho 15, 2012}   A assembleia dos ratos
Imagem

Ilustração: Gustave Doré

A assembléia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembléia para o estudo da questão.  Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

– Acho — disse um deles — que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.

Palmas e bravos saudaram a luminosa idéia.  O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra, um rato casmurro, que pediu a palavra e disse — Está tudo muito direito.  Mas quem vai amarrarar o guizo no pescoço de Faro-Fino?

Silêncio geral.  Um desculpou-se por não saber dar nó.  Outro, porque não era tolo.  Todos, porque não tinham coragem. E a assembléia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Dizer é fácil; fazer é que são elas!

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.



{Fevereiro 2, 2012}   Dois lados

 

 

Deste lado tem meu corpo
Tem o sonho
Tem a minha namorada me esperando
Tem minha vida, nossas vidas
Tem meu amor tão lento
Tem o caminho sendo preparado
Tem você do outro lado

Do outro lado existe ela pensando em nós dois
Tem a perfeição do seu sorriso
Tem o sonho não realizado
Tem meu amor sendo guardado

Georgia Bontorin

Que este amor, Georgia, não fique guardado!

Amor tem que ser amado, distribuído, gostado, visto, revisto e visitado.

Sonhos são realizados, fantasias não. Amor é sonho real na vida, não ilusão.

Feito de duas: pessoas, mente, posição. Feito de dois: lados, distinção, opinião.

Amado sempre e respeitado, tem tudo para ser frutificado. 

Adoro um amor inventado! Não acho nada exagerado.



{Fevereiro 2, 2012}   O peregrino

O oceano desprende de seu olhar

Susurros, nessa peregrinação

que é a vida, deixam vultos a navegar

O barco é seu bem colossal

Água doce que possui amargas pitadas de sal.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Perdoa-me, amarga peregrinação,

Mas falta de amor traz tanto rancor

Fator que desilude teu coração

Te assusta, fere e estraçalha sua alma com dor

e com golpes certeiros de pura obsessão.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Tanta solidão deve-se ao destino

O mesmo que vai e volta para matar

A cada vítima, aí está você sozinho

A cada movimento e a cada olhar, desabas

Com tanta tristeza que o segue, peregrino.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Pensando nos velhos momentos, choras, meu jovem,

Por ter trocado a segurança pela incerteza

Detalhe que o consome a cada instante

No seu semblante, pulsa a morte

De quem um dia considerava-se o forte.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

“Homem ao mar!!!” assim ele vai

Preso em seus próprios sonhos

Afogando-se em suas próprias escolhas

Parte, enfim, a vida desse jovem

Peregrinante que então vira peregrina_dor.

Gabriel Moreira

 

Leia mais: O velho e o mar – Ernest Hemingway 

 http://www.4shared.com/office/Hb3IG7V3/Ernest_Hemingway_O_velho_e_o_m.html



{Dezembro 9, 2011}   Cecília Meireles

Fio

 

No fio da respiração,

rola a minha vida monótona,

rola o peso do meu coração.

 

Tu não vês o jogo perdendo-se

como as palavras de uma canção.

 

Passas longe, entre nuvens rápidas,

com tantas estrelas na mão…

 

— Para que serve o fio trêmulo

em que rola o meu coração?

Para saber mais: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(16)14-25.html

😉



{Novembro 5, 2011}   Gregório de Matos

Tomás Pinto Brandão estando preso por indústrias de certo frade: afomentado na prisão por seus dois irmãos apelidados o Frisão e o Chicória, em vésperas que estava o poeta de ir para Angola

.

SONETO

.

É uma das mais célebres histó-,

A que te fez prender, pobre Tomá-,

Porque todos te fazem degradá-,

Que no nosso idioma é para Angó-.

.

Oh se quisesse o Padre Santo Antô-,

Que se falsificara este pressá-,

Para ficar corrido este Frisá-,

E moído em salada de Chicó-.

.

Mas ai! que lá me vem buscar Mati-,

Que nestes casos é peça de lé-;

Adeus, meus camaradas, e ami-.

.

Que vou levar cavalos a Bengué-,

Mas se vou a cavalo em um navi-,

Servindo vou a El Rei por mar, e té-.

.

Matos, Gregório de. Poemas escolhidos: seleção e organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p.192



{Outubro 16, 2011}   Premissas da vida

Se o amor fosse verdadeiro
Tudo sairia do mesmo ciclo rotineiro
Não existiriam falsas promessas, meu amor
Como uma dessas que você vive a citar.

Se o amor não fosse verdadeiro
Tudo pararia, não importando os derradeiros
Não existiriam verdadeiras analogias
Como a imperfeição de cada palavra sua.

Ah! Se o amor fosse o meu roteiro
Tudo aconteceria nas margens da imaginação
Pois a cada feito, haveria sempre um defeito.

Logo, a cada premissa haveria você
E a cada nova premissa haveria o amor
A conclusão, ficaria a cargo do coração.

Gabriel Moreira



{Setembro 20, 2011}   Urupês – Monteiro Lobato

O Engraçado Arrependido

Francisco Teixeira Pontes tinha 32 anos
Todos riam de suas piadas sem parar
Ele era um comediante natural
Mas um dia, com sua fama resolveu acabar

Ele queria virar um homem sério
Queria ser alguém como qualquer um
Tinha cansado da própria vida
Queria ser um homem comum

Tentou vários empregos
Mas com “qua qua qua” era respondido
Riam apenas de citar seu nome
Achou que já estava perdido

Então foi que ele soube de um emprego
Um de coletor federal
Mas era ocupado pelo Major Bentes
Que tinha um aneurisma fatal

Francisco contratou seu primo
E este lhe prometeu o cargo de coletor
Seria avisado logo após da morte do Major
Então Pontes planejou o assassinato com ardor

Sendo um comediante pensou
“Vou matar o Major de rir!”
O aneurisma não iria aguentar
Fazê-lo dar risada, ninguém pode me proibir

Indo a coletoria fazendo pequenos trabalhos
Conquistou o Major de pouco em pouco
Então finalmente Pontes o convidou para jantar
Para tentar fazê-lo rir como louco

Mas o plano não deu muito certo
O Major tinha cuidado com o aneurisma
Ria apenas timidamente
Pontes tinha que melhorar seu carisma

Pontes, porem pensou
“Todo homem tem seu ponto fraco”

Os do Major eram ingleses e frades
Enfim conseguiria por o velho no buraco

Depois de muita preparação
Criou uma anedota de um inglês, sua mulher e dois frades
Se o Major sobrevivesse
Prometeu dar um tiro na cabeça com toda a vontade

Então em um almoço no carnaval
Pontes começou a contar a piada
Major Bentes estava atento e adorando
E o momento do fim se aproximava

Pontes finalizou sua obra-prima
Em um ato rápido e cômico
Major Bentes riu mais alto que todos
Com um riso tragicômico

O Major caiu de cara no peixe e ali morreu
Apesar de ser planejado, Pontes se chocou
O assassino indireto correu pra casa
E lá por dias se trancou

Seu primo o ligou com péssimas notícias
A vaga de coletor já estava tomada
Pontes além de chocado, ficou sem emprego
Desejou nunca ter feito aquela piada

Pontes foi achado enforcado por uma ceroula
Um mês depois do assassinato do Major
Foi motivo de piada para toda a cidade
Então se ouvia, novamente, “quás” ao seu redor

 

http://prezi.com/vfwkhdyuzzb7/o-engracado-arrependido/

 

 

Trabalho maravilindo realizado pelas alunas Hevelin Sato, Maria Victória Garcez, Ana Lucia Faucz, Paola Gomes e Vitor Emanuel.

Parabéns! 



{Agosto 25, 2011}   LeMinsKi aNo

Aqui tou eu pra te proteger dos perigos da noite, do dia

Sou fogo, sou terra, sou água, sou gente, 

eu também sou filha de Santa Maria

Desencontrários (Paulo Leminski)

   Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
   Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
   Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

   Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
   Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
   para conquistar um império extinto.

Dia 24/08 (quarta-feira), o escritor curitibano Paulo Leminski completaria 67 anos. Para comemorar a data, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-PR) abrem a exposição “Clics em Curitiba”, com 24 painéis de fotos de Jack Pires associadas a poemas de Leminski, considerado um dos escritores brasileiros mais importantes da segunda metade do século 20.

As imagens e os textos foram originalmente publicados no livro “Quarenta Clics em Curitiba”, lançado pela dupla em 1976. A abertura da mostra é às 19h, em seguida, às 19h30, será exibido no Auditório Paul Garfunkel o documentário “Ervilha da fantasia – uma ópera Paulo Leminskiana”, do cineasta Werner Schumann

A programação ainda conta com a leitura dramática do texto “O dia em que morreu Leminski”, escrito pelo jornalista e dramaturgo Rogério Viana, também no auditório, às 17h30. A leitura é dirigida por Léo Moita e tem participação dos atores Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos.

Jack Pires foi um fotógrafo paulista radicado durante muitos anos em Curitiba, onde desenvolveu diversas atividades na Fundação Cultural de Curitiba e trabalhou em importantes estúdios fotográficos. Realizou, nos anos 1970 e 1980, valiosos registros do cotidiano da capital paranaense, num estilo que foi comparado ao de Henri Cartier-Bresson. Em 1976 convidou Leminski para associar seus poemas a diversos flagrantes registradas nas praças e ruas da cidade. O resultado é um livro de grande valor artístico e documental. [imprensa@seec.pr.gov.br]

Serviço:

Clics de Curitiba

Exposição de fotos do livro “Quarenta Clics em Curitiba”

A partir de 24 de agosto, às 19h

Visitação até 24 de setembro – Hall de entrada

Biblioteca Pública do Paraná – Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba.

Entrada franca

Mais informações: (41) 3221-4917

Veja mais: http://www.youtube.com/watch?v=MHkya98tKgs

Leia mais: 

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://www.releituras.com/pleminski_menu.asp

http://www.kakinet.com/caqui/leminski.htm



A peça de teatro solicitada pela UFPR para o vestibular deste ano não é fácil de ser encontrada.

Ela faz parte do Projeto Ágora, que conta com um espaço para publicações em seu site, e “ESTE ESPAÇO VISA INCREMENTAR A VEICULAÇÃO DAS IDÉIAS E DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PUBLICAÇÃO DE LIVROS, QUE SERÃO, SEMPRE QUE POSSÍVEL, DISPONIBILIZADOS GRATUITAMENTE NO SITE DO TEATRO PARA DOWNLOAD.”

A peça, que começa a partir da página 289,  é muito boa, numa linguagem extremamente fácil e sua leitura leva no máximo 1 hora. Contudo, nada impede que se leia o livro todo que está uma beleza!

Então segue o link: http://www.agorateatro.com.br/agorateatro/wp-content/uploads/2007/09/agora_livre_dramaturgias_miolo.pdf

Boa leitura!



{Agosto 22, 2011}   Sedução Poética 2011

Cora Coralina

Doceira por vocação, poetisa por natureza 

122 anos

Não sei se a vida é curta ou longa para nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe, braço que envolve,

palavra que conforta, silêncio que respeita,

alegria que contagia, lágrima que corre,

olhar que acaricia, desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta,

nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe

e aprende o que ensina.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver


/


Leia mais: http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm

http://www.senado.gov.br/noticias/fibra-de-cora-coralina-e-lembrada-como-exemplo-em-sessao-no-senado-nesta-terca.aspx

http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/



{Agosto 11, 2011}   Dia do Estudante

ELOGIO DO APRENDIZADO

Aprenda o mais simples!
Para aqueles
Cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas
Aprenda! Não desanime!
Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!

Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!

Frequente a escola, você que não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro:é uma arma.
Você tem que assumir o comando.

Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer
Veja com seus olhos!
O que não sabe por conta própria
Não sabe.

Verifique a conta
É você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: O que é isso?
Você tem que assumir o comando.

(Berthold Brecht in “Poemas 1913–1956”. São Paulo: Brasiliense, 1986.)

Parabéns a todas e todos!



{Agosto 7, 2011}   Sedução poética

Discurso – Cecília Meireles

E aqui estou, cantando. 

Um poeta é sempre irmão do vento e da água: 
deixa seu ritmo por onde passa. 

Venho de longe e vou para longe: 
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho 
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram. 

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória, 
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel. 

Pois aqui estou, cantando. 

Se eu nem sei onde estou, 
como posso esperar que algum ouvido me escute? 

Ah! se eu nem sei quem sou, 
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
(Meireles, 1982, p.17)

 

Arte Poética 

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

 

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges (1960)
Leia mais: http://www.webartigos.com/articles/61658/1/A-METAPOESIA-EM-VIAGEM-DE-CECILIA-MEIRELES/pagina1.html#ixzz1UJ3UaGO5



{Agosto 2, 2011}   Pequeno Cineasta

Foram prorrogadas as inscrições para o 2o.Festival Internacional Pequeno Cineasta. Os pequenos realizadores interessados devem se inscrever até 08 de agosto de 2011.

Crianças e jovens, de 08 a 17 anos, do mundo todo, podem inscrever seus filmes. Serão aceitos filmes de até 10 minutos de duração, nos gêneros de ficção, documentário, experimental e animação. A inscrição é gratuita.

O Festival será realizado em novembro deste ano na cidade do Rio de Janeiro. Além das Mostras Competitivas, haverá espaço para debates com profissionais das áreas de Cinema e Educação. Maiores informações estão disponíveis no site: www.pequenocineastafest.com.br



{Junho 30, 2011}   Eu vou torcer, eu vou!!!

Para que a caminhada de cada uma e cada um que passou pelas minhas aulas neste semestre seja de inteiro sucesso! Foi uma honra ter estado com vocês.

Um recesso de paz a todas e todos!/

Para aqueles e aquelas que ainda não terminaram… rs

Até Julho… ;D

Será que ela leu “O Menino do Dedo Verde”, Maurice Druon?

Mais?: http://lercomereamar.blogspot.com/2010/07/o-menino-do-dedo-verde.html



A’ Santa Thereza 

.

Reza de manso… Toda de roxo,

A vista no teto preza,

Como que imita a tristeza

Daquele círio trêmulo e frouxo…

.

E assim, mostrando todo o desgosto

Que sobre sua alma pesa,

Ela reza, reza, reza,

As mãos erguidas, pálido o rosto… 

.

O rosto pálido, as mãos erguidas,

O olhar choroso e profundo…

Parece estar no Outro-Mundo

De outros mistérios e de outras vidas.

.

Implora a Cristo, seu Casto Esposo,

Numa prece ou num transporte,

O termo final da Morte,

Para descanso, para repouso…

.

Salmos doridos, cantos aéreos,

Melodiosos gorgeios

Roçam-lhe os ouvidos, cheios

De misticismos e de mistérios…

.

Reza de manso, reza de manso,

Implorando ao Casto Esposo

A morte, para repouso,

Para sossego, para descanso 

.

D’alma e do corpo que se consomem,

Num desânimo profundo,

Ante as misérias do Mundo,

Ante as misérias tão baixas do Homem!

.

Quanta tristeza, quanto desgosto,

Mostra na alma aberta e franca,

Quando fica, branca, branca,

As mãos erguidas, pálido o rosto…

.

Leia mais:

http://conhecimentopratico.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/27/artigo206904-1.asp

 http://saopaulourgente.blogspot.com/2009/03/musa-impassivel-na-pinacoteca.html

 



{Junho 20, 2011}   Igualdade de Gênero

 http://www.igualdadedegenero.cnpq.br

Boa sorte, meninas! Que vença a melhor ou o melhor e ganhem todas e todos na promoção da Igualdade de Gênero!

Val, Obrigada!!! 😀



{Junho 17, 2011}   O despertar da primavera

Parabéns às formandas e aos formandos!



Eu não queria escrever sobre esse tema, por esgotamento. Mas tenho lido tanta bobagem, com o tom furibundo das ignorâncias sólidas, sobre o livro didático que “ensina errado”, que não resisto a comentar. É impressionante como observações avulsas, sem contexto, eivadas de um desconhecimento feroz tanto do livro em si como de seu pressuposto linguístico, podem rolar pelo país como uma bola de neve, encher linguiça de jornais, revistas e noticiários e até mesmo estimular o “confisco” do material pela voz de políticos. Instituições de alto coturno, como a Academia Brasileira de Letras, manifestaram-se contra o horror de um livro didático que “ensina errado”. Até o presidente do Congresso, o imortal José Sarney, tirou sua casquinha patriótica. A sensação que fica é de que há uma legião de professores pelo Brasil afora obrigando alunos a copiar no caderno as formas do dialeto caipira, com o estímulo homicida do MEC (de qualquer governo – seria o fim da picada politizar o tema). Sim a educação brasileira vai muito mal, mas estão errando obtusamente o foco.

O que essa cegueira coletiva mostra, antes de tudo, é o fato de que a linguística – a primeira ciência humana moderna, que se constituiu no final do século 18 com o objetivo de compreender a evolução das línguas – não entrou no senso comum. As pessoas, letradas ou não, sabem mais sobre Astronomia do que sobre o funcionamento das línguas, mas imaginam o contrário. Eis uma cartilha básica, nos limites da crônica: toda língua, em qualquer parte do mundo e em qualquer ponto da história, é um conjunto de variedades; uma dessas variedades, em algum momento e em algumas sociedades, ganhou o estatuto da escrita, que se torna padrão, é defendida pelo Estado e é o veículo de todas informações culturais de prestígio; há diferenças substanciais entre as formas da oralidade e as formas da escrita (são gramáticas diferentes, com diferentes graus de distinção); a passagem da oralidade para a escrita é um processo complexo que nos faz a todos “bilíngues” na própria língua. Pedagogicamente, dar ao aluno a consciência das diferenças linguísticas e de suas diferentes funções sociais é um passo fundamental para o enriquecimento da sua formação linguística.

É função da escola promover o domínio da forma padrão da escrita, estimular a leitura e o acesso ao mundo letrado, e tanto melhor será essa competência quanto mais o aluno desenvolver a percepção das diferenças gramaticais da oralidade e da vida real da língua. Ora, todo livro didático de português minimamente atualizado reserva um capítulo ao tópico da variedade linguística e ao papel da língua padrão dentro do universo das linguagens cotidianas. Num país de profundos desníveis sociais como o Brasil, o reconhecimento da diferença linguística é o passo primeiro para o pleno acesso à escrita e sua função social. Será isso tão difícil de entender?

http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1129095&tit=O-poder-do-erro

Para saber mais:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/nao+somos+irresponsaveis+diz+autora+de+livro+com+nos+pega/n1596948804100.html


http://www.ujs.org.br/site/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1146:o-livro-que-ensina-a-falar-errado&catid=68:noticias-geral


http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/cronica/o-livro-que-ensina-a-%E2%80%98falar-errado%E2%80%99-moderacao-numa-hora-dessas/



{Maio 8, 2011}   A história da Maluh

Nunca fui boa contadora de histórias (os primeiros anos que o digam… rs), mas a que ouvi da Maluh merece ser passada adiante. Será de modo simples, não-literário e muito menos poético. Espero que seja eficiente ao menos.

Ela me contou que um dia quis matar sua irmã mais velha: Marlene. Maluh estava com apenas 6 anos.  

Maria Amália, mãe sábia e carinhosa, deu às filhas duas bonecas de porcelana e sabe-se lá por qual motivo, Marlene guardou a sua e foi brincar com a da irmã. 

Brinca daqui, brinca dali… como brincadeiras nem sempre são levadas a sério, a boneca caiu de suas mãos e espatifou-se no chão.

Maluh não ficou apenas inconsolável, sentiu raiva, ódio mesmo, e começou a chorar, a gritar, querendo matar a irmã por tamanho descuido.

A mãe, vendo a raiva que a pequena sentia, fez-lhe uma proposta:

– Você cumprirá uma tarefa primeiro, depois resolveremos se você vai matar a sua irmã ou não. – e imediatamente pediu a Vanda, a babá que cuidava das crianças na fazenda, que lhe trouxesse um balde cheio de carvão e uma camisa branca.

Maluh avisou que sua mãe fora alfabetizada na fazenda mesmo e lia muito, portanto deve ter lido essa história em algum lugar e utilizado neste momento.

A pequenina foi incumbida de passar o carvão por toda a camisa até que ela ficasse totalmente preta para depois então resolver a questão com Marlene. Enquanto passava a raiva preta pela camisa, enxugava suas lágrimas com as costas das mãos.

Terminada a tarefa, resoluta voltou-se a mãe:

– Pronto! A camisa está preta. Agora quero ir, vamos lá matar a Marlene.

Cuidadosamente, Maria Amália retira de baixo de seu bordado um espelho e chama a menina.

– Veja, olhe para o seu rosto. O mal que há no mundo é como este carvão. Não há como você senti-lo sem que isto te contamine também.

A história bem que poderia terminar aqui. E seria ruim não saber o que houve com a Marlene e a boneca que sobrou. Maluh me contou que a mãe chamou a irmã mais velha, conversou e mostrou a ela que justiça deveria ser feita.

Marlene, de bom grado, deu a sua boneca para Maluh.

Obrigada, Maluh, por compartilhar tantas histórias com tamanho carinho. Amo nossas conversas literárias! 

Se a história é real? rsrs

Agradeço especialmente aos primeiros anos por ouvirem pacientemente as histórias que conto e acreditarem nelas! 😀



{Março 13, 2011}   Amor desconstruído

Era ela que amava

era ela que sentia

toda aquela paixão

como um passáro sem asa

voava de emoção

mas tudo desconhecia

dessa nova sensação.

Não sabia por exemplo

que era tão fervorosa essa paixão

ela o avistou

tão perto tão longe

de sua paixão

uma troca de olhares

calafrios pelo seu corpo

medo, insegurança e compreensão.

Um amor jamais correspondido

será que um dia há de olhar para mim?

essa paixão parece mais uma prisão

ou talvez seja só uma ilusão.

Paixão descontrolada

me entreguei de corpo e alma

loucura, paixão

uma só sensação.

Até que então uma grande desilusão

vi meu grande amor no caixão

um grande silêncio fez-se

dentro do seu coração.

Julia, Leonardo, Nicolly, João e Alison – 1ª EM



{Março 7, 2011}   Sem rumo e Sem direção

Agora estou parado

Esperando um chamado

Parado pensando

Parado espero por um fluxo

Fluxo de adrenalina

Adrenalina que me dará coragem

Mas coragem do que? Não sei

Ou sei, ahh já nem sei mais o que estou falando.

Que loucura, que confusão

Nada mais tem sentido

Nessa loucura, alucinação

Essa alucinação acontece sempre

Sempre dentro do meu coração.

Coração que não tem rumo.

Coração que não tem direção.

Agora ligo meu rádio

Rádio ligado, coração inspirado

Ouço uma música

Músicas sempre tocam meu coração

Coração que não tem rumo.

Coração que não tem direção.

Penso en seu belo rosto

Penso em seu belo corpo

Sempre que essa música toca.

Música que sempre diz palavras lindas

Lindas músicas dizem palavras.

Volto a pensar mais em você

Penso só em você

Mas será que você pensa em mim?

Será que um dia você se tocará?

Será que um dia eu vou acabar.

Deus o que eu fiz?

Ou o que eu não fiz?

Por que me castiga?

Por que, deus!

Agora espero o dia

O dia da libertação espero

Libertação do meu coração

Coração alucinado por você

Coração que nunca teve rumo

Mas que enfim encontrou uma direção.

Gabriel – 1º EM



{Fevereiro 26, 2011}   Variação linguística

Para minhas (meus) queridas(os) futuras(os) Técnicas(os) em Química:

 

Aula de Português

 

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

 

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

 

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas da minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

 

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortadado namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 


Leia mais:

http://www.slideshare.net/larose/variao-lingustica

http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/v00003.htm

http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u60.jhtm

http://www.vestibularseriado.com.br/redacao/apostilas/item/373-variacao-linguistica



{Fevereiro 24, 2011}   UFPR 2012

Para minhas queridas e meus queridos do 3ºF…

Um dos novos livros da lista de obras literárias para o vestibular da UFPR para 2012 é considerado por alguns como o primeiro romance homossexual brasileiro. A leitura da obra é imprescindível, a leitura da biografia do autor é complementar.

Sei o quanto é complicado trabalhar o dia todo, estudar à noite e ainda pensar num vestibular tão concorrido como este. Por isso, persistência, dedicação e ir além do solicitado é, talvez, o segredo do sucesso de alguns que mesmo em meio a todas as adversidades conseguem êxito.

Então… para quem quer ir além… segue um trecho do livro da Cláudia Albuquerque para experimentação:

“Como hei de dar atenção ao bombardeio que lá vai troando na baía, se o meu espírito está completamente absorvido, absolutamente dominado pela ideia de fazer literatura?”, perguntaria a si e aos leitores. O livro que o fazia perder o sono e as bombas já era provavelmente Bom-Crioulo, um novo romance, que seria lançado no mesmo ano de suas Cartas Literárias. Nele, Caminha pôs todo o ar dos pulmões. Criou imagens arrebatadoras numa prosa tecnicamente superior a tudo o que já havia escrito. Foi como se tivesse passado os anos anteriores ensaiando para este livro. Finalmente as coisas todas no lugar: a estrutura e o tema em diálogo íntimo, o perfeito encadeamento entre as cenas. Pitadas de nervosidade, violência e sensualismo.

Uma vez, Proust disse que nos bailes de Balzac nós sentimos quase o prazer de ser convidados. Em   o autor, avesso a galanterias, empurra o leitor desavisado para a atmosfera carregada de um navio em alto-mar, tendo depois o requinte de o atrair a um quartinho sórdido da rua da Misericórdia. Talvez o visitante acorde cedo e adivinhe o chocalho da carrocinha do lixo, o mugido da vaca do leite, as conversas jogadas nas quitandas, botequins, carvoarias e, claro, na Padaria Lusitana. As descrições palpitam de vida e os odores simplesmente invadem as narinas: azeite e alcatrão no convés da corveta: mariscos decompostos no porão; sebo, ácido fênico e cânfora nos quartos; urina nas ruas; água de colônia; água do mar; roupa lavada; suor humano e sexo.Bom Crioulo

Sexo à moda naturalista: alucinado, sôfrego, desembestado e inevitável como a morte. O sexo que se aferra à carne tal qual “espinho de urtiga brava”. O que escraviza Amaro, confunde o grumete Aleixo e faz Carolina se contorcer até o fim da narrativa.

LEIA MAIS:

ALBUQUERQUE, Cláudia. Adolfo Caminha. 2. ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2009. P. 67-69

(Na biblioteca do colégio) 😉



{Novembro 29, 2010}   Descortinando a crônica

Nas duas primeiras décadas do século XX, o gênero deixara de ser designado por folhetim. A partir da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, os autores serviram-se da crônica para divulgar e defender novos ideais de arte e literatura. O humor nos fatos do cotidiano, fatos banais, nova linguagem literária. Um jovem inicia como colaborador de jornal nesse período e se tornará um dos principais representantes do gênero: Rubem Braga. (…)

Cada um procura a melhor forma de fazer seus registros, buscando artefatos que lhe sejam mais agradáveis. O que importa é o registro feito. O conhecimento é uma experiência prazerosa e toda vez que se faz registro, está repassando o conhecimento adquirido e vivenciado para outras pessoas. O conhecimento não é nem nunca foi egoísta. Precisa ser partilhado. Convivido.

Josane Buschmann

Obrigada, Jô!

A partir do trabalho da profa Josane, alunas e alunos do 1º EM escolheram o tema e estão construindo dois blogs, com informações, imagens, vídeos e textos narrativos produzidos por eles/elas.

Visite, dê sua opinião e incentive a escrita e a leitura:

bLog d@ 1G:

http://divercidadecult.wordpress.com/

bLog d@ 1F:

http://diversidadedegeneronaescola.wordpress.com/




{Novembro 16, 2010}   Memória Escrita e Lida

Essa aversão pela leitura fica ainda mais inconcebível se somos de uma geração, de um tempo, de um meio e de uma família onde a tendência era nos impedir de ler.

– Mas pára de ler, olha só, você vai estragar a vista!

– Sai, vai brincar um pouco, está fazendo um tempo tão bonito!

– Apaga, já é tarde!

É isso, o tempo estava sempre bom demais para ler, ou então era a noite, escura demais.

Note-se que em ler ou não ler, o verbo já era conjugado no imperativo! Mesmo no passado, as coisas não davam certo. De certo modo, ler, então era um ato subversivo. À descoberta do romance se juntava a excitação da desobediência familiar. Duplo esplendor! Ah, a lembrança dessas horas de leitura roubadas, debaixo das cobertas, à luz fraca de uma laterna elétrica! Como Anna Karenina galopava depressa-depressa para junto do seu Vronski, naquelas horas da noite! Eles se amavam, aqueles dois, e isso já era lindo em si, mas se amavam contra a proibição de ler e isso era ainda melhor. Eles se amavam contra pai e mãe, se amavam contra o dever de matemática não terminado, contra a “dissertação” a preparar, contra o quarto por arrumar, eles se amavam em vez de irem para a mesa, eles se amavam antes da sobremesa, eles se preferiam à partida de futebol, à colheita de cogumelos, eles se tinham escolhido e se preferiam a tudo mais. Ah, meu Deus, o belo amor!

E como o romance era curto.

(PENNAC, Daniel. Como um romance. Trad. Lenny Werneck. 4ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. p. 15- 16)

 



{Novembro 16, 2010}   Memória Escrita e Lida

Com a morte de Lili, tia Maria ficou toda em cuidados comigo. Proibiu-me da liberdade que eu andava gozando como um libertino. Passava o dia a me ensinar as letras. Os meus primos, esses, ninguém podia com eles.

Ficava eu horas a fio sentado na sala de costura, com a carta de á-bê-cê na mão, enquanto por fora de casa ouvia o rumor da vida que não me deixavam levar. Era para mim, esta prisão, um martírio bem difícil de vencer. Os meus ouvidos e os meus olhos só sabiam ouvir e ver o que andava pelo terreiro. E as letras não me entravam na cabeça.

– Nunca vi um menino tão rude – dizia asperamente a velha Sinhazinha.

Tia Maria, porém, não desanimava, continuando com afinco a martelar a minha desatenção.

As conversas das costureiras começavam então a me prender. Elas trabalhavam numa palestra que não parava. Falavam sempre de outros engenhos, onde estiveram no mesmo serviço, contando das intimidades das famílias.

– No Santarém ninguém come – dizia uma -, é bacalhau no almoço e no jantar.

A outra contava que o senhor de engenho do Poço Fundo tinha mais de vinte mulheres. Esta conversa me tomava inteiramente, e as letras, que a solicitude de minha tia procurava enfiar pela minha cabeça, não tinha jeito de vencer tal aversão. O que eu queria era a liberdade de meus primos, agora que as arribaçãs, com a seca do sertão, estavam descendo a revoada para os bebedouros.

(REGO, José Lins do. Menino de Engenho. 89ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. p.46-47)



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 33

Ao meu redor, giram letras, palavras, músicas e poemas. Não sei em que momento de minha curta vida comecei a ouvir cada palavra e a entender cada música. Apenas sei que foi a partir desse momento que minha vida mudou.

Eu queria ler tudo o que via pela frente, desde livros a placas de carro, afinal eu tinha descoberto um mundo novo. Eu ainda lembro das broncas que eu levava quando lia durante as viagens, minha mãe dizia que eu ia passar mal, mas depois de um tempo ela desistiu de me contrariar.

Minhas recordações nunca vão mudar, mesmo as palavras mudando, minha vida ao lado das palavras continuará, mesmo sabendo que elas não ligam para quem está lendo.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 32

O princípio das letras

No começo do ano da primeira série começamos aprender as letras. Muito difícil no começo! Aquele jogo de letras embaralhava minha cabeça.

Aos poucos fui descobrindo um mundo mágico da leitura com ela fui me aperfeiçoando cada vez mais nas redações e sempre querendo descobrir as coisas novas ao meu redor.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 31

Meus primeiros contatos com as letras foi quando minha mãe me ajudava com as tarefas de escola, quando eu comecei a sair de casa também. Via muros escritos, que então eu tentava copiar a forma das letras desenhando-as em um papel. Após alguns anos eu comecei a ler muitos livros e parei, porque acabei ficando sem interesse. Foi assim que eu tive a maioria dos meus contatos com as letras, a maior parte que eu me lembro da minha infância, pois a maioria das coisas que eu fazia eu acabava me esquecendo após alguns dias.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 30

O primeiro contato com as letras, que é o essencial para o homem é algo inexplicável para uma criança. pois são as experiências novas, das quais ela irá ter que aprender a lidar.

Épocas boas que não voltam mais, quem diria que eu ao crescer e ter descoberto aquelas letrinhas descobriria um pouquinho do que é o mundo, elas que eram tão difíceis de serem desenhadas, mas quando conseguia era uma alegria.

Momentos que não voltam mais.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 29

Lembro-me como se fosse ontem quando entrei chorando naquela pequena escola, quando olhei para dentro de uma daquelas salas, mais criancinhas como eu, chorando pedindo aos pais, foi naquele momento que me senti tranquilo, pois eu não era o único ali. Após alguns dias as professoras foram me mostrando risquinhos que se juntaram com outros risquinhos, que as professoras chamavam de letras e palavras, e essas letras vinham com musiquinhas e essas musiquinhas sempre seguiam uma ordem de letras que se chamava alfabeto, foi com o passar do tempo que comecei a ver essas letras de uma forma diferente, tão diferente que hoje não vivo mais sem meus risquinhos.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 28

 

Do passado para o presente, pois tudo que nós fazíamos sem responsabilidade sem a obrigação sem deveres não precisa ter horários, limites são poucos, apenas a diversão.

Um que nunca mais vai voltar se pudéssemos voltar para ter tudo de novo.

A escola era diversão aprender era um modo de se divertir na época, aprender a ler e a escrever era divertido.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 27

Não sabia que aos nove meses de idade eu saberia andar e aos 2 anos entrar na escola e aprender a língua portuguesa nunca gostei muito, mas agora eu vejo a importância disto aquelas palavras, tantas, regras e tantos nomes, mas as palavras fazem parte da minha vida.

O meu primeiro contato foi um desastre, eu escrevo muito mal, desde lá mas mesmo assim consigo e conseguia. Odeio escrever e sempre odiei, mas vou vivendo assim, não sou ninguém e todos serão ninguém na vida se não souberem escrever.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 26

A minha relação com as letras começou treze anos atrás quanto meus pais começaram a me ensinar até a hora de eu ir para a escola que fui me aperfeiçoando como escrever e a ler as palavras e as letras, para mim foi a melhor coisa do mundo que hoje tudo mexe com o estudo, mesmo que não mexesse foi muito bom começar a usar as letras de forma correta, mas há várias pessoas que tem oportunidade de aprender e não querem nem saber, mas eu estou aproveitando a minha oportunidade, quem sabe daqui cinco anos eu seja um arquiteto, estou lutando para isso acontecer.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 25

Desde os meus primeiros meses de vida estive em uma escola, mas só fui entender o porquê que eu ia todos os dias naquele lugar quando estava passando da primeira série pra a segunda, pois é nesse período que começamos a entender o que é aquelas tais letras que as “tias” tentam nos dizer que B com A fica BA e assim vai.

No começo, todos nós brincávamos com aqueles cubos que tem uma letra em cada lado, eu tentava formar tudo e qualquer coisa que passava pela cabeça, mas nunca saia nada até que um dia aprendi a escrever meu nome, escrevia várias vezes e  sempre perguntava para minha mãe se ela sabia o que tava escrito.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 24

Quando você ainda é pequena tem aquela vontade enorme de poder escrever ou ler e não consegue e começa a pegar seus primeiros livros de literatura infantil e uma folha de papel e nela você  tentava escrever o alfabeto, tentando juntar as letras para ver se uma palavra sairia no papel.

A primeira vez que comecei a tentar escrever, colocava letra daqui e letra dali, letras maiores que as outras, letras de ponta cabeça, e para mim é como se eu estivesse escrevendo um monte de coisas, enquanto no papel nada mais nada menos do que várias letrinhas rabiscadas. E depois como o maior orgulho mostrava para meus pais o quanto eu sabia fazer, e o quanto eu ficava feliz de saber que eu sabia o alfabeto.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 23

Até hoje me lembro de quando comecei a manipular essas pequenas coisas. Era algo tão estranho, e divertido ao mesmo tempo. Algo tão novo para mim foi, a timidez  com elas era algo inexplicável, algo tão estranho, e com tanta importância.

E agora? Parece que fazem parte de mim, estão em todo lugar. O mais divertido, era que, essas pequenas letras juntavam, fazendo algo extraordinário chamado palavras. Ficava, confuso, mal entendia as letras e agora existem as monstruosas palavras!

Bem, algo tão magnífico que agora são lembranças. Agora só resta usá-las, para que fim? Aprendemos para nos comunicar, algo que começou bobo, só que ficou complexo. Recordar como era divertido vê-las e não entendê-las, infelizmente, só aprendemos uma vez.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 22

Anos atrás foi como um bicho de sete cabeças para mim. Eu imaginava que jamais conseguiria, mas com isso eu aprendi que desperta a imaginação, sonhos e ainda mais vontade de conhecer mais e mais o mundo das letras.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 21

As letras despertam saudades nas pessoas, pois quando uma pessoa lembra do passado, ela sabe que não pode voltar e a única lembrança que tem de seus anos anteriores são as palavras.

Para uma pessoa lembrar do passado pode ser triste ou feliz, depende de suas lembranças, de suas crenças.

Para mim, o jogo de palavras traz lembranças de um tempo bom, onde não havia responsabilidades e nem cobranças. Uma época onde eu podia ser eu mesma sem me preocupar com o que as outras pessoas pensam. Uma época feliz.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 20

Na verdade acho que sempre tive mais contato com os números, mas lembro de todas as noites meu pai lendo algumas páginas de um livro para mim, que particularmente não sei da história até hoje. É alguma coisa com Capelo Gaivota; um livro de capa dura azul, com o título escrito em prata, não deve ser o tipo de livro que se lê para uma criança.

Lembro do primeiro livro que eu mesma li. Até hoje não sei pronunciar o nome, e também não lembro como se escreve. Mas é uma história conhecida, em que a filha paga uma dívida do pai, se casando com o rei. Por algum motivo, ela teria que transformar palha em ouro e assim se desvenda a história.

O que acho legal é que o primeiro livro que li sozinha quando criança fazia e faz muito mais sentido do que o que o meu pai lia perfeitamente e diariamente para mim.

 

Este é o filme que marcou uma geração e transformou o livro de Richard Bach num best-seller que vendeu 40 milhões de cópias e viajou por 70 países do mundo. Foi indicado ao Oscar® 1974 (Melhor Fotografia e Melhor Montagem) apresenta uma trilha sonora ganhadora do Grammy® e do Globo de Ouro®, do lendário Neil Diamond.



et cetera