o BloG dA pRofA











{Outubro 16, 2011}   Premissas da vida

Se o amor fosse verdadeiro
Tudo sairia do mesmo ciclo rotineiro
Não existiriam falsas promessas, meu amor
Como uma dessas que você vive a citar.

Se o amor não fosse verdadeiro
Tudo pararia, não importando os derradeiros
Não existiriam verdadeiras analogias
Como a imperfeição de cada palavra sua.

Ah! Se o amor fosse o meu roteiro
Tudo aconteceria nas margens da imaginação
Pois a cada feito, haveria sempre um defeito.

Logo, a cada premissa haveria você
E a cada nova premissa haveria o amor
A conclusão, ficaria a cargo do coração.

Gabriel Moreira

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{Agosto 25, 2011}   LeMinsKi aNo

Aqui tou eu pra te proteger dos perigos da noite, do dia

Sou fogo, sou terra, sou água, sou gente, 

eu também sou filha de Santa Maria

Desencontrários (Paulo Leminski)

   Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
   Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
   Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

   Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
   Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
   para conquistar um império extinto.

Dia 24/08 (quarta-feira), o escritor curitibano Paulo Leminski completaria 67 anos. Para comemorar a data, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-PR) abrem a exposição “Clics em Curitiba”, com 24 painéis de fotos de Jack Pires associadas a poemas de Leminski, considerado um dos escritores brasileiros mais importantes da segunda metade do século 20.

As imagens e os textos foram originalmente publicados no livro “Quarenta Clics em Curitiba”, lançado pela dupla em 1976. A abertura da mostra é às 19h, em seguida, às 19h30, será exibido no Auditório Paul Garfunkel o documentário “Ervilha da fantasia – uma ópera Paulo Leminskiana”, do cineasta Werner Schumann

A programação ainda conta com a leitura dramática do texto “O dia em que morreu Leminski”, escrito pelo jornalista e dramaturgo Rogério Viana, também no auditório, às 17h30. A leitura é dirigida por Léo Moita e tem participação dos atores Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos.

Jack Pires foi um fotógrafo paulista radicado durante muitos anos em Curitiba, onde desenvolveu diversas atividades na Fundação Cultural de Curitiba e trabalhou em importantes estúdios fotográficos. Realizou, nos anos 1970 e 1980, valiosos registros do cotidiano da capital paranaense, num estilo que foi comparado ao de Henri Cartier-Bresson. Em 1976 convidou Leminski para associar seus poemas a diversos flagrantes registradas nas praças e ruas da cidade. O resultado é um livro de grande valor artístico e documental. [imprensa@seec.pr.gov.br]

Serviço:

Clics de Curitiba

Exposição de fotos do livro “Quarenta Clics em Curitiba”

A partir de 24 de agosto, às 19h

Visitação até 24 de setembro – Hall de entrada

Biblioteca Pública do Paraná – Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba.

Entrada franca

Mais informações: (41) 3221-4917

Veja mais: http://www.youtube.com/watch?v=MHkya98tKgs

Leia mais: 

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://www.releituras.com/pleminski_menu.asp

http://www.kakinet.com/caqui/leminski.htm



{Agosto 22, 2011}   Sedução Poética 2011

Cora Coralina

Doceira por vocação, poetisa por natureza 

122 anos

Não sei se a vida é curta ou longa para nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe, braço que envolve,

palavra que conforta, silêncio que respeita,

alegria que contagia, lágrima que corre,

olhar que acaricia, desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta,

nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe

e aprende o que ensina.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver


/


Leia mais: http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm

http://www.senado.gov.br/noticias/fibra-de-cora-coralina-e-lembrada-como-exemplo-em-sessao-no-senado-nesta-terca.aspx

http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/



{Agosto 7, 2011}   Sedução poética

Discurso – Cecília Meireles

E aqui estou, cantando. 

Um poeta é sempre irmão do vento e da água: 
deixa seu ritmo por onde passa. 

Venho de longe e vou para longe: 
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho 
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram. 

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória, 
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel. 

Pois aqui estou, cantando. 

Se eu nem sei onde estou, 
como posso esperar que algum ouvido me escute? 

Ah! se eu nem sei quem sou, 
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
(Meireles, 1982, p.17)

 

Arte Poética 

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

 

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges (1960)
Leia mais: http://www.webartigos.com/articles/61658/1/A-METAPOESIA-EM-VIAGEM-DE-CECILIA-MEIRELES/pagina1.html#ixzz1UJ3UaGO5



{Agosto 1, 2011}   Amores-imperfeitos?

Perfeito!

Virá com os passos mudos de uma reticência? …

 Cores, colagens, sons, emoção!



{Julho 30, 2011}   Grades Para Inocentes
Queria ser como pássaro
Voar, sem me preocupar
Voar e sentir o doce toque do ar
Queria apenas voar.

Logo, sou um pássaro
Pois aprendi a cantar
Aprendi a encantar
Mas logo não sei voar.

Minha beleza cobiçaram
Em grades me pregaram
Minhas asas atrofiaram.

Hoje sei o que é tristeza
Antes tinha leveza
Por favor devolvam minha pureza
Cobiçadores de riquezas.

                          Gabriel Moreira


{Julho 23, 2011}   O Rio e o Tempo

O Rio

A Cecília

O rio é uma língua bífida

que lambe não só a fimbria

das gargantas que a constringem,

mas também, porque lasciva,

suas mais profundas vísceras.

Lambe até o lodo e o limo

das frinchas onde se enfia

na terra que, concubina,

abre a úmida vagina

ao seu lúbrico apetite.

Na infância não vi o rio,

mas só praias e penínsulas,

lagoas e alvas restingas,

onde o sol e a maresia

inundavam-me as narinas.

Só depois, lá pelos quinze,

é que vi rugir o rio,

com suas súbitas iras,

seus pêlos em desalinho,

seu caráter ínvio e ríspido.

Era o sensual Paraíba,

com águas cor de ouro antigo

e bois nas margens furtivas

que devagar se moviam

quando as cheias as tangiam,

empurrando à superfície

toda sorte de iguarias:

almas penadas, espíritos

malignos, ermas pupilas

de afogados e facínoras,

a lembrança da menina 

que sorria entre os caniços,

abrindo-me as coxas lívidas

que ardiam como dois círios

à escura soleira do hímen.

Ó rios de minha vida:

os que cruzei sem ter visto

e os que fluem, com mais tinta,

no pélago das retinas

de quem agora os recria!

(…)

Ivan Junqueira

PANORAMA ALÉM

Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.

Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada…

Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém…. O ermo atrás do ermo: – é a paisagem daqui.

Tudo opaco… E sem luz… E sem treva… O ar absorto…
Tudo em paz… Tudo só… Tudo irreal… Tudo morto…
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?

Cecília Meireles



{Junho 28, 2011}   Memórias do subsolo

VIII

– Ha, ha, ha! Mas essa vontade nem sequer existe, se quereis saber! – interrompeis-me com uma gargalhada. – A ciência conseguiu a tal ponto analisar anatomicamente o homem que já sabemos que a vontade e o chamado livre-arbítrio nada mais são do que…

– Um momento, senhores, foi justamente assim que eu mesmo quis começar. Cheguei até a me assustar, confesso. Ainda agora, quis gritar que a vontade depende diabo sabe do quê, e que talvez se deva dar graças a Deus por isto, mas lembrei-me da ciência e… me detive. E nesse instante começastes a falar. E, com efeito, se realmente se encontrar um dia a fórmula de todas as nossas vontades e caprichos, isto é, do que eles dependem, por que leis precisamente acontecem, como se difundem, para onde anseiam dirigir-se neste ou naquele caso, etc. etc., uma verdadeira fórmula matemática, então  o homem será capaz de deixar de desejar, ou melhor, deixará de fazê-lo, com certeza.  Ora, que prazer se pode ter em desejar segundo uma tabela? Mais ainda: no mesmo instante, o homem se transformará num pedal de órgão ou algo semelhante; pois que é um homem sem desejos, sem vontades nem caprichos, senão um pedal de órgão? Que pensais disso? Calculemos as probabilidades: pode tal coisa acontecer ou não?

– Hum… – retrucais. – As nossas vontades são, na maior parte equívocos devidos a uma concepção errada sobre as nossas vantagens. Se queremos às vezes um absurdo completo, é porque vemos nesse absurdo, devido à nossa estupidez, o caminho mais fácil para atingir alguma.

De fato, se a vontade se combinar  um dia completamente com a razão, querer algo desprovido de sentido e, deste modo, ir conscientemente contra a razão e desejar aquilo que é nocivo a nós próprios… E visto que todas as vontades e todos os raciocínios podem ser realmente calculados – pois algum dia hão de se descobrir as leis do nosso suposto livre-arbítrio -, então, deixando-se de lado as brincadeiras, será possível elaborar um espécie de tabela, e nós passaremos realmente a desejar de acordo com esta.

Durante toda a vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele.

Mesmo nos meus devaneios subterrâneos, nunca pude conceber o amor senão como uma luta: começava sempre pelo ódio e terminava pela  subjugação moral; depois não podia sequer imaginar o que fazer com o objeto subjugado. E o que há de inverossímil nisso, se eu já conseguira apodrecer moralmente a ponto de me desacostumar da “vida viva”…

 

Fiódor Dostoiévski

 



A’ Santa Thereza 

.

Reza de manso… Toda de roxo,

A vista no teto preza,

Como que imita a tristeza

Daquele círio trêmulo e frouxo…

.

E assim, mostrando todo o desgosto

Que sobre sua alma pesa,

Ela reza, reza, reza,

As mãos erguidas, pálido o rosto… 

.

O rosto pálido, as mãos erguidas,

O olhar choroso e profundo…

Parece estar no Outro-Mundo

De outros mistérios e de outras vidas.

.

Implora a Cristo, seu Casto Esposo,

Numa prece ou num transporte,

O termo final da Morte,

Para descanso, para repouso…

.

Salmos doridos, cantos aéreos,

Melodiosos gorgeios

Roçam-lhe os ouvidos, cheios

De misticismos e de mistérios…

.

Reza de manso, reza de manso,

Implorando ao Casto Esposo

A morte, para repouso,

Para sossego, para descanso 

.

D’alma e do corpo que se consomem,

Num desânimo profundo,

Ante as misérias do Mundo,

Ante as misérias tão baixas do Homem!

.

Quanta tristeza, quanto desgosto,

Mostra na alma aberta e franca,

Quando fica, branca, branca,

As mãos erguidas, pálido o rosto…

.

Leia mais:

http://conhecimentopratico.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/27/artigo206904-1.asp

 http://saopaulourgente.blogspot.com/2009/03/musa-impassivel-na-pinacoteca.html

 



{Junho 23, 2011}   Saciedade & Sociedade

“A novidade
que tem no brejo da cruz
é a criançada
se alimentar de luz…”

Chico Buarque

… luz da lua
Do sol a luz,
Mas sobretudo
é da luz de teu olhar
que me acumulo…
Da luz de tua presença
de teus sentimentos
iluminados
tanto os bons sentimentos
quanto os sentimentos
danados…
Da luz de tua esperança
minha espera se sustenta
é na luz de tua alma
que minha fome se alimenta…

Minha alma
tua alma
água pura de beber
água benta…

Lilian Capossi

 



{Junho 17, 2011}   O despertar da primavera

Parabéns às formandas e aos formandos!



{Junho 11, 2011}   Bloomsday



{Maio 20, 2011}   Amar é burrice?

Será que o amor é mesmo cego ?

Todos dizem que o amor é cego. Isso se dá pelo fato de que quando a pessoa está amando outra, ela não consegue enxergar os defeitos da pessoa amada, acha tudo lindo, tudo o que o outro faz é bom. Mas quando essa paixão acaba, qual é a primeira coisa que se faz? Certamente, vão começar a reparar nos “defeitinhos”, que não existiam quando havia amor e vão começar a criticar a tal pessoa. Isso acontece ainda mais, quando o indivíduo é deixado pela pessoa que ama. Mas será que é um fato que o amor é cego, ou é o orgulho ferido, a ira de ser deixado pra trás ou até mesmo, ser trocado por outro(a)?

Quando se fala de amor, fica tudo difícil de ser compreendido.

Pamela Rauch

Obrigada, Pamela!



{Maio 8, 2011}   A história da Maluh

Nunca fui boa contadora de histórias (os primeiros anos que o digam… rs), mas a que ouvi da Maluh merece ser passada adiante. Será de modo simples, não-literário e muito menos poético. Espero que seja eficiente ao menos.

Ela me contou que um dia quis matar sua irmã mais velha: Marlene. Maluh estava com apenas 6 anos.  

Maria Amália, mãe sábia e carinhosa, deu às filhas duas bonecas de porcelana e sabe-se lá por qual motivo, Marlene guardou a sua e foi brincar com a da irmã. 

Brinca daqui, brinca dali… como brincadeiras nem sempre são levadas a sério, a boneca caiu de suas mãos e espatifou-se no chão.

Maluh não ficou apenas inconsolável, sentiu raiva, ódio mesmo, e começou a chorar, a gritar, querendo matar a irmã por tamanho descuido.

A mãe, vendo a raiva que a pequena sentia, fez-lhe uma proposta:

– Você cumprirá uma tarefa primeiro, depois resolveremos se você vai matar a sua irmã ou não. – e imediatamente pediu a Vanda, a babá que cuidava das crianças na fazenda, que lhe trouxesse um balde cheio de carvão e uma camisa branca.

Maluh avisou que sua mãe fora alfabetizada na fazenda mesmo e lia muito, portanto deve ter lido essa história em algum lugar e utilizado neste momento.

A pequenina foi incumbida de passar o carvão por toda a camisa até que ela ficasse totalmente preta para depois então resolver a questão com Marlene. Enquanto passava a raiva preta pela camisa, enxugava suas lágrimas com as costas das mãos.

Terminada a tarefa, resoluta voltou-se a mãe:

– Pronto! A camisa está preta. Agora quero ir, vamos lá matar a Marlene.

Cuidadosamente, Maria Amália retira de baixo de seu bordado um espelho e chama a menina.

– Veja, olhe para o seu rosto. O mal que há no mundo é como este carvão. Não há como você senti-lo sem que isto te contamine também.

A história bem que poderia terminar aqui. E seria ruim não saber o que houve com a Marlene e a boneca que sobrou. Maluh me contou que a mãe chamou a irmã mais velha, conversou e mostrou a ela que justiça deveria ser feita.

Marlene, de bom grado, deu a sua boneca para Maluh.

Obrigada, Maluh, por compartilhar tantas histórias com tamanho carinho. Amo nossas conversas literárias! 

Se a história é real? rsrs

Agradeço especialmente aos primeiros anos por ouvirem pacientemente as histórias que conto e acreditarem nelas! 😀



{Abril 29, 2011}   Aula de português

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade

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Língua –  Caetano Veloso

Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Gosto de ser e de estar

E quero me dedicar a criar confusões de prosódia

E uma profusão de paródias

Que encurtem dores

E furtem cores como camaleões

Gosto do Pessoa na pessoa

Da rosa no Rosa

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade

E quem há de negar que esta lhe é superior?

E deixe os Portugais morrerem à míngua

“Minha pátria é minha língua”

Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

O que quer

O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas

E o falso inglês relax dos surfistas

Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!

Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda

E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate

E – xeque-mate – explique-nos Luanda

Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo

Sejamos o lobo do lobo do homem

Lobo do lobo do lobo do homem

Adoro nomes

Nomes em ã

De coisas como rã e ímã

Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã

Nomes de nomes

Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé

e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

O que quer

O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção

Está provado que só é possível filosofar em alemão

Blitz quer dizer corisco

Hollywood quer dizer Azevedo

E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo

A língua é minha pátria

E eu não tenho pátria, tenho mátria

E quero frátria

Poesia concreta, prosa caótica

Ótica futura

Samba-rap, chic-left com banana

(- Será que ele está no Pão de Açúcar?

– Tá craude brô

– Você e tu

– Lhe amo

– Qué queu te faço, nego?

– Bote ligeiro!

– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!

– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!

– I like to spend some time in Mozambique

– Arigatô, arigatô!)

Nós canto-falamos como quem inveja negros

Que sofrem horrores no Gueto do Harlem

Livros, discos, vídeos à mancheia

E deixa que digam, que pensem, que falem.





{Abril 16, 2011}   Formato mínimo…

Achei o máximo…

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acabou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último

Beijou sua mulher como se fosse a única

E cada filho seu como se fosse o pródigo

E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido

Ergueu no patamar quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo num desenho lógico

Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe

Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou como se fosse máquina

Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música

E flutuou no ar como se fosse sábado

E se acabou no chão feito um pacote tímido

Agonizou no meio do passeio náufrago

Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas

Sentou pra descansar como se fosse um pássaro

E flutuou no ar como se fosse um príncipe

E se acabou no chão feito um pacote bêbado

Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Chico Buarque



{Março 13, 2011}   Amor desconstruído

Era ela que amava

era ela que sentia

toda aquela paixão

como um passáro sem asa

voava de emoção

mas tudo desconhecia

dessa nova sensação.

Não sabia por exemplo

que era tão fervorosa essa paixão

ela o avistou

tão perto tão longe

de sua paixão

uma troca de olhares

calafrios pelo seu corpo

medo, insegurança e compreensão.

Um amor jamais correspondido

será que um dia há de olhar para mim?

essa paixão parece mais uma prisão

ou talvez seja só uma ilusão.

Paixão descontrolada

me entreguei de corpo e alma

loucura, paixão

uma só sensação.

Até que então uma grande desilusão

vi meu grande amor no caixão

um grande silêncio fez-se

dentro do seu coração.

Julia, Leonardo, Nicolly, João e Alison – 1ª EM



{Março 7, 2011}   Sem rumo e Sem direção

Agora estou parado

Esperando um chamado

Parado pensando

Parado espero por um fluxo

Fluxo de adrenalina

Adrenalina que me dará coragem

Mas coragem do que? Não sei

Ou sei, ahh já nem sei mais o que estou falando.

Que loucura, que confusão

Nada mais tem sentido

Nessa loucura, alucinação

Essa alucinação acontece sempre

Sempre dentro do meu coração.

Coração que não tem rumo.

Coração que não tem direção.

Agora ligo meu rádio

Rádio ligado, coração inspirado

Ouço uma música

Músicas sempre tocam meu coração

Coração que não tem rumo.

Coração que não tem direção.

Penso en seu belo rosto

Penso em seu belo corpo

Sempre que essa música toca.

Música que sempre diz palavras lindas

Lindas músicas dizem palavras.

Volto a pensar mais em você

Penso só em você

Mas será que você pensa em mim?

Será que um dia você se tocará?

Será que um dia eu vou acabar.

Deus o que eu fiz?

Ou o que eu não fiz?

Por que me castiga?

Por que, deus!

Agora espero o dia

O dia da libertação espero

Libertação do meu coração

Coração alucinado por você

Coração que nunca teve rumo

Mas que enfim encontrou uma direção.

Gabriel – 1º EM



{Fevereiro 27, 2011}   Memórias de um aprendiz de escritor

Contar histórias. Eis uma coisa que meus pais sabiam fazer particularmente bem, com graça e humor; sabiam transformar pessoas em personagens, acontecimentos em situações ou cenas.

De minha mãe adquiri o gosto pela leitura. Éramos pobres; não indigentes; não chegávamos a passar fome; mas tínhamos que economizar. Apesar disto nunca me faltou dinheiro para livros. Minha mãe me levava à tradicional Livraria do Globo e eu podia escolher à vontade. Desde pequeno estava lendo. De tudo, como até hoje: Monteiro Lobato e revistas em quadrinhos, divulgação científica e romances. Mesmo os impróprios para menores. Minha mãe tinha Saga, de Érico Veríssimo, escondido em seu roupeiro; naquela época, Érico era considerado um autor imoral. Falava em (horror!) sexo. Mas eu logo descobri onde estava a chave, e quando minha mãe saía, mergulhava na leitura proibida.

 

p. 17 – 19.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/881692-morre-o-escritor-moacyr-scliar.shtml

 

 



{Fevereiro 24, 2011}   UFPR 2012

Para minhas queridas e meus queridos do 3ºF…

Um dos novos livros da lista de obras literárias para o vestibular da UFPR para 2012 é considerado por alguns como o primeiro romance homossexual brasileiro. A leitura da obra é imprescindível, a leitura da biografia do autor é complementar.

Sei o quanto é complicado trabalhar o dia todo, estudar à noite e ainda pensar num vestibular tão concorrido como este. Por isso, persistência, dedicação e ir além do solicitado é, talvez, o segredo do sucesso de alguns que mesmo em meio a todas as adversidades conseguem êxito.

Então… para quem quer ir além… segue um trecho do livro da Cláudia Albuquerque para experimentação:

“Como hei de dar atenção ao bombardeio que lá vai troando na baía, se o meu espírito está completamente absorvido, absolutamente dominado pela ideia de fazer literatura?”, perguntaria a si e aos leitores. O livro que o fazia perder o sono e as bombas já era provavelmente Bom-Crioulo, um novo romance, que seria lançado no mesmo ano de suas Cartas Literárias. Nele, Caminha pôs todo o ar dos pulmões. Criou imagens arrebatadoras numa prosa tecnicamente superior a tudo o que já havia escrito. Foi como se tivesse passado os anos anteriores ensaiando para este livro. Finalmente as coisas todas no lugar: a estrutura e o tema em diálogo íntimo, o perfeito encadeamento entre as cenas. Pitadas de nervosidade, violência e sensualismo.

Uma vez, Proust disse que nos bailes de Balzac nós sentimos quase o prazer de ser convidados. Em   o autor, avesso a galanterias, empurra o leitor desavisado para a atmosfera carregada de um navio em alto-mar, tendo depois o requinte de o atrair a um quartinho sórdido da rua da Misericórdia. Talvez o visitante acorde cedo e adivinhe o chocalho da carrocinha do lixo, o mugido da vaca do leite, as conversas jogadas nas quitandas, botequins, carvoarias e, claro, na Padaria Lusitana. As descrições palpitam de vida e os odores simplesmente invadem as narinas: azeite e alcatrão no convés da corveta: mariscos decompostos no porão; sebo, ácido fênico e cânfora nos quartos; urina nas ruas; água de colônia; água do mar; roupa lavada; suor humano e sexo.Bom Crioulo

Sexo à moda naturalista: alucinado, sôfrego, desembestado e inevitável como a morte. O sexo que se aferra à carne tal qual “espinho de urtiga brava”. O que escraviza Amaro, confunde o grumete Aleixo e faz Carolina se contorcer até o fim da narrativa.

LEIA MAIS:

ALBUQUERQUE, Cláudia. Adolfo Caminha. 2. ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2009. P. 67-69

(Na biblioteca do colégio) 😉



{Janeiro 28, 2011}   Mapa do mundo

Era uma vez um reino muito distante. Ficava numa região muito, muito fria e quase inacessível. Nele, havia um castelo imenso, decorado com tesouros do chão ao teto, até mesmo nas mais altas torres. Por toda a parte viam-se colunas de mármores de todas as cores, paredes com tapeçarias raras e salpicadas de pedras preciosas, portas de ouro e pinturas ornamentais que cobriam tetos e paredes. Toda essa riqueza pertencia a um rei, que dela nem tomava conhecimento. Seu maior desejo era conhecer o mundo e tudo o que ele poderia lhe oferecer. Mas uma doença muito rara e incurável o mantinha preso ao leito, impedindo-o de viajar.

Por isso, mandou chamar todos os sábios do reino e lhes ordenou que colocassem num mapa, desenhando com precisão, todos os detalhes do mundo que ele não podia ver nem provar. E o rei tinha pressa, muita pressa.

Reuniram-se, então, os homens e mulheres mais capazes e estudiosos para compor esse mapa tão desejado. Buscaram nos livros o saber dos antepassados, observaram a realidade à sua volta, enviaram mensageiros em viagens de pesquisa. Aos poucos, chegavam informações de todas as partes do mundo conhecido. Novos sábios vieram juntar-se aos primeiros. Assim, jovens e velhos, falando os mais diversos idiomas, conhecedores dos mais estranhos sinais e acontecimentos, trabalhavam dia e noite, noite e dia, para atender à ordem e à pressa do rei. Compilaram, organizaram, traduziram, escreveram, desenharam. Com eles, o mapa ganhou formas mais definidas e detalhes mais enriquecidos. Para surpresa de todos os sábios, enquanto construíam o mapa, também descobriam e aprendiam sobre realidades inimagináveis.

Apesar do estudo e do esforço, o mapa continuava lacunar, incompleto, estático.

Então, os sábios pediram o auxílio de todos os artistas: músicos, pintores, atores… Cada um trouxe sua experiência e saber para a construção do mapa, que crescia em tamanho e formosura.

Lagos de águas azuladas, montes de cumes brancos e elevados, vales verdejantes, rios de águas límpidas, aldeias e cidades. O mapa coloria-se em todas as gradações e nuances. As curvas das montanhas desenhavam o horizonte, mas logo adiante eram substituídas por praias sem fim e o horizonte ampliava-se ao infinito. Brilhavam no pergaminho do mapa as estrelas do céu refletidas nas águas dos lagos e rios. No tapete dos vales vibravam multicoloridas plantas e flores. As florestas abundantes cobriam terras férteis. A areia monocromatizava a vastidão dos desertos.

Para que fosse corrigida a imobilidade do mapa, matemáticos e físicos criaram um mecanismo, resultante de cálculos complexos, que fazia o artefato movimentar-se, e, com ele, os animais e a natureza ganharam ritmo, sons e deslocamentos.

Todos os que se aproximavam daquele portento da criação humana, ficavam admirados com sua beleza, realismo e grandiosidade.

Quando o consideraram acabado, os sábios construtores o levaram até o rei que, ao vê-lo, comoveu-se com a variedade e precisão dos detalhes, e com a engenhosidade do movimento.

Passado o encanto inicial, porém, e aos poucos, o rei voltou a sentir-se triste e doente. Faltava ao mapa algo que não conseguia definir. O mapa era apenas representação, simulacro incompleto do mundo extraordinário que existia em sua imaginação.

Ao saber da reação e do estado doentio do rei, o mais jovem aprendiz de um dos sábios, que viera de longes terras, se aproximou do mapa, desenhou toscamente uma figura humana e acionou o mecanismo.

Ouviu-se, então, o som da primeira palavra. O mapa ganhou, enfim, vida completa. O mundo fez-se significação.

E o rei morreu em paz.

COSTA, Marta Morais da. Mapa do mundo: crônicas de aprendiz. Belo Horizonte: Editora Leitura, 2006. p. 197-198



{Novembro 29, 2010}   Descortinando a crônica

Nas duas primeiras décadas do século XX, o gênero deixara de ser designado por folhetim. A partir da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, os autores serviram-se da crônica para divulgar e defender novos ideais de arte e literatura. O humor nos fatos do cotidiano, fatos banais, nova linguagem literária. Um jovem inicia como colaborador de jornal nesse período e se tornará um dos principais representantes do gênero: Rubem Braga. (…)

Cada um procura a melhor forma de fazer seus registros, buscando artefatos que lhe sejam mais agradáveis. O que importa é o registro feito. O conhecimento é uma experiência prazerosa e toda vez que se faz registro, está repassando o conhecimento adquirido e vivenciado para outras pessoas. O conhecimento não é nem nunca foi egoísta. Precisa ser partilhado. Convivido.

Josane Buschmann

Obrigada, Jô!

A partir do trabalho da profa Josane, alunas e alunos do 1º EM escolheram o tema e estão construindo dois blogs, com informações, imagens, vídeos e textos narrativos produzidos por eles/elas.

Visite, dê sua opinião e incentive a escrita e a leitura:

bLog d@ 1G:

http://divercidadecult.wordpress.com/

bLog d@ 1F:

http://diversidadedegeneronaescola.wordpress.com/




{Novembro 16, 2010}   Memória Escrita e Lida

Essa aversão pela leitura fica ainda mais inconcebível se somos de uma geração, de um tempo, de um meio e de uma família onde a tendência era nos impedir de ler.

– Mas pára de ler, olha só, você vai estragar a vista!

– Sai, vai brincar um pouco, está fazendo um tempo tão bonito!

– Apaga, já é tarde!

É isso, o tempo estava sempre bom demais para ler, ou então era a noite, escura demais.

Note-se que em ler ou não ler, o verbo já era conjugado no imperativo! Mesmo no passado, as coisas não davam certo. De certo modo, ler, então era um ato subversivo. À descoberta do romance se juntava a excitação da desobediência familiar. Duplo esplendor! Ah, a lembrança dessas horas de leitura roubadas, debaixo das cobertas, à luz fraca de uma laterna elétrica! Como Anna Karenina galopava depressa-depressa para junto do seu Vronski, naquelas horas da noite! Eles se amavam, aqueles dois, e isso já era lindo em si, mas se amavam contra a proibição de ler e isso era ainda melhor. Eles se amavam contra pai e mãe, se amavam contra o dever de matemática não terminado, contra a “dissertação” a preparar, contra o quarto por arrumar, eles se amavam em vez de irem para a mesa, eles se amavam antes da sobremesa, eles se preferiam à partida de futebol, à colheita de cogumelos, eles se tinham escolhido e se preferiam a tudo mais. Ah, meu Deus, o belo amor!

E como o romance era curto.

(PENNAC, Daniel. Como um romance. Trad. Lenny Werneck. 4ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. p. 15- 16)

 



{Novembro 16, 2010}   Memória Escrita e Lida

Com a morte de Lili, tia Maria ficou toda em cuidados comigo. Proibiu-me da liberdade que eu andava gozando como um libertino. Passava o dia a me ensinar as letras. Os meus primos, esses, ninguém podia com eles.

Ficava eu horas a fio sentado na sala de costura, com a carta de á-bê-cê na mão, enquanto por fora de casa ouvia o rumor da vida que não me deixavam levar. Era para mim, esta prisão, um martírio bem difícil de vencer. Os meus ouvidos e os meus olhos só sabiam ouvir e ver o que andava pelo terreiro. E as letras não me entravam na cabeça.

– Nunca vi um menino tão rude – dizia asperamente a velha Sinhazinha.

Tia Maria, porém, não desanimava, continuando com afinco a martelar a minha desatenção.

As conversas das costureiras começavam então a me prender. Elas trabalhavam numa palestra que não parava. Falavam sempre de outros engenhos, onde estiveram no mesmo serviço, contando das intimidades das famílias.

– No Santarém ninguém come – dizia uma -, é bacalhau no almoço e no jantar.

A outra contava que o senhor de engenho do Poço Fundo tinha mais de vinte mulheres. Esta conversa me tomava inteiramente, e as letras, que a solicitude de minha tia procurava enfiar pela minha cabeça, não tinha jeito de vencer tal aversão. O que eu queria era a liberdade de meus primos, agora que as arribaçãs, com a seca do sertão, estavam descendo a revoada para os bebedouros.

(REGO, José Lins do. Menino de Engenho. 89ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. p.46-47)



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 33

Ao meu redor, giram letras, palavras, músicas e poemas. Não sei em que momento de minha curta vida comecei a ouvir cada palavra e a entender cada música. Apenas sei que foi a partir desse momento que minha vida mudou.

Eu queria ler tudo o que via pela frente, desde livros a placas de carro, afinal eu tinha descoberto um mundo novo. Eu ainda lembro das broncas que eu levava quando lia durante as viagens, minha mãe dizia que eu ia passar mal, mas depois de um tempo ela desistiu de me contrariar.

Minhas recordações nunca vão mudar, mesmo as palavras mudando, minha vida ao lado das palavras continuará, mesmo sabendo que elas não ligam para quem está lendo.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 32

O princípio das letras

No começo do ano da primeira série começamos aprender as letras. Muito difícil no começo! Aquele jogo de letras embaralhava minha cabeça.

Aos poucos fui descobrindo um mundo mágico da leitura com ela fui me aperfeiçoando cada vez mais nas redações e sempre querendo descobrir as coisas novas ao meu redor.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 31

Meus primeiros contatos com as letras foi quando minha mãe me ajudava com as tarefas de escola, quando eu comecei a sair de casa também. Via muros escritos, que então eu tentava copiar a forma das letras desenhando-as em um papel. Após alguns anos eu comecei a ler muitos livros e parei, porque acabei ficando sem interesse. Foi assim que eu tive a maioria dos meus contatos com as letras, a maior parte que eu me lembro da minha infância, pois a maioria das coisas que eu fazia eu acabava me esquecendo após alguns dias.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 30

O primeiro contato com as letras, que é o essencial para o homem é algo inexplicável para uma criança. pois são as experiências novas, das quais ela irá ter que aprender a lidar.

Épocas boas que não voltam mais, quem diria que eu ao crescer e ter descoberto aquelas letrinhas descobriria um pouquinho do que é o mundo, elas que eram tão difíceis de serem desenhadas, mas quando conseguia era uma alegria.

Momentos que não voltam mais.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 29

Lembro-me como se fosse ontem quando entrei chorando naquela pequena escola, quando olhei para dentro de uma daquelas salas, mais criancinhas como eu, chorando pedindo aos pais, foi naquele momento que me senti tranquilo, pois eu não era o único ali. Após alguns dias as professoras foram me mostrando risquinhos que se juntaram com outros risquinhos, que as professoras chamavam de letras e palavras, e essas letras vinham com musiquinhas e essas musiquinhas sempre seguiam uma ordem de letras que se chamava alfabeto, foi com o passar do tempo que comecei a ver essas letras de uma forma diferente, tão diferente que hoje não vivo mais sem meus risquinhos.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 28

 

Do passado para o presente, pois tudo que nós fazíamos sem responsabilidade sem a obrigação sem deveres não precisa ter horários, limites são poucos, apenas a diversão.

Um que nunca mais vai voltar se pudéssemos voltar para ter tudo de novo.

A escola era diversão aprender era um modo de se divertir na época, aprender a ler e a escrever era divertido.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 27

Não sabia que aos nove meses de idade eu saberia andar e aos 2 anos entrar na escola e aprender a língua portuguesa nunca gostei muito, mas agora eu vejo a importância disto aquelas palavras, tantas, regras e tantos nomes, mas as palavras fazem parte da minha vida.

O meu primeiro contato foi um desastre, eu escrevo muito mal, desde lá mas mesmo assim consigo e conseguia. Odeio escrever e sempre odiei, mas vou vivendo assim, não sou ninguém e todos serão ninguém na vida se não souberem escrever.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 26

A minha relação com as letras começou treze anos atrás quanto meus pais começaram a me ensinar até a hora de eu ir para a escola que fui me aperfeiçoando como escrever e a ler as palavras e as letras, para mim foi a melhor coisa do mundo que hoje tudo mexe com o estudo, mesmo que não mexesse foi muito bom começar a usar as letras de forma correta, mas há várias pessoas que tem oportunidade de aprender e não querem nem saber, mas eu estou aproveitando a minha oportunidade, quem sabe daqui cinco anos eu seja um arquiteto, estou lutando para isso acontecer.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 25

Desde os meus primeiros meses de vida estive em uma escola, mas só fui entender o porquê que eu ia todos os dias naquele lugar quando estava passando da primeira série pra a segunda, pois é nesse período que começamos a entender o que é aquelas tais letras que as “tias” tentam nos dizer que B com A fica BA e assim vai.

No começo, todos nós brincávamos com aqueles cubos que tem uma letra em cada lado, eu tentava formar tudo e qualquer coisa que passava pela cabeça, mas nunca saia nada até que um dia aprendi a escrever meu nome, escrevia várias vezes e  sempre perguntava para minha mãe se ela sabia o que tava escrito.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 24

Quando você ainda é pequena tem aquela vontade enorme de poder escrever ou ler e não consegue e começa a pegar seus primeiros livros de literatura infantil e uma folha de papel e nela você  tentava escrever o alfabeto, tentando juntar as letras para ver se uma palavra sairia no papel.

A primeira vez que comecei a tentar escrever, colocava letra daqui e letra dali, letras maiores que as outras, letras de ponta cabeça, e para mim é como se eu estivesse escrevendo um monte de coisas, enquanto no papel nada mais nada menos do que várias letrinhas rabiscadas. E depois como o maior orgulho mostrava para meus pais o quanto eu sabia fazer, e o quanto eu ficava feliz de saber que eu sabia o alfabeto.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 23

Até hoje me lembro de quando comecei a manipular essas pequenas coisas. Era algo tão estranho, e divertido ao mesmo tempo. Algo tão novo para mim foi, a timidez  com elas era algo inexplicável, algo tão estranho, e com tanta importância.

E agora? Parece que fazem parte de mim, estão em todo lugar. O mais divertido, era que, essas pequenas letras juntavam, fazendo algo extraordinário chamado palavras. Ficava, confuso, mal entendia as letras e agora existem as monstruosas palavras!

Bem, algo tão magnífico que agora são lembranças. Agora só resta usá-las, para que fim? Aprendemos para nos comunicar, algo que começou bobo, só que ficou complexo. Recordar como era divertido vê-las e não entendê-las, infelizmente, só aprendemos uma vez.



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 22

Anos atrás foi como um bicho de sete cabeças para mim. Eu imaginava que jamais conseguiria, mas com isso eu aprendi que desperta a imaginação, sonhos e ainda mais vontade de conhecer mais e mais o mundo das letras.

 



{Novembro 13, 2010}   Memória Escrita 21

As letras despertam saudades nas pessoas, pois quando uma pessoa lembra do passado, ela sabe que não pode voltar e a única lembrança que tem de seus anos anteriores são as palavras.

Para uma pessoa lembrar do passado pode ser triste ou feliz, depende de suas lembranças, de suas crenças.

Para mim, o jogo de palavras traz lembranças de um tempo bom, onde não havia responsabilidades e nem cobranças. Uma época onde eu podia ser eu mesma sem me preocupar com o que as outras pessoas pensam. Uma época feliz.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 20

Na verdade acho que sempre tive mais contato com os números, mas lembro de todas as noites meu pai lendo algumas páginas de um livro para mim, que particularmente não sei da história até hoje. É alguma coisa com Capelo Gaivota; um livro de capa dura azul, com o título escrito em prata, não deve ser o tipo de livro que se lê para uma criança.

Lembro do primeiro livro que eu mesma li. Até hoje não sei pronunciar o nome, e também não lembro como se escreve. Mas é uma história conhecida, em que a filha paga uma dívida do pai, se casando com o rei. Por algum motivo, ela teria que transformar palha em ouro e assim se desvenda a história.

O que acho legal é que o primeiro livro que li sozinha quando criança fazia e faz muito mais sentido do que o que o meu pai lia perfeitamente e diariamente para mim.

 

Este é o filme que marcou uma geração e transformou o livro de Richard Bach num best-seller que vendeu 40 milhões de cópias e viajou por 70 países do mundo. Foi indicado ao Oscar® 1974 (Melhor Fotografia e Melhor Montagem) apresenta uma trilha sonora ganhadora do Grammy® e do Globo de Ouro®, do lendário Neil Diamond.



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 19

Primeiro ABC

Na entrada da escola a mãe se despede da filha, o primeiro dia de aula da vida inteira, tão entusiasmada para ver a professora, os colegas e todas as novidades.

Quando a professora começa a falar das “tais” letras que tanto queria conhecer fica feliz, mas assustada por tanta coisa nova. Sentia que era tão difícil escrever a primeira letra, o nome inteiro nem se fale.

Hoje fica uma linda recordação da sua primeira letra, e uma grande saudade. O que “ontem” era difícil hoje é mais do que uma das coisas que ela mais usa, e não importa se é o português, matemática ou biologia, ela ainda usa o ABC.

 



{Novembro 11, 2010}   Memória Escrita 18

Tenho muita saudade de quando estava aprendendo a escrever, não me lembro em que série foi, eu não sabia escrever direito ainda e tive que fazer uma carta para minha mãe, a carta ficou bem feia, mas foi de coração, até hoje minha mãe tem ela, eu sempre escrevia, chegava em casa e ia escrever, até eu chegou um tempo, eu conheci o computador e parei de escrever.

Lá pela terceira série a professora começou com a ideia de fazer um teste para ver quem podia escrever de caneta e dali em diante e eu passei.

 



et cetera