o BloG dA pRofA











Ele começou ruim para que grandes coisas pudessem acontecer. Um ano de muitos amigos, muita gente me apoiando, me ajudando, me amando. Gente que eu nem esperava, gente que eu nem conhecia. Tive a oportunidade de ver de perto o quão solidárias as pessoas podem ser, o quão surpreendentes também. A vida dá conta de afastar o que não é bom e atrair as coisas boas para perto daqueles que querem o bem.

Em vários momentos pensei que não poderia melhorar, mas sempre havia uma palavra amiga e um entusiasta me encorajando a prosseguir.Eu tenho muito o que agradecer. Sou uma privilegiada: tenho amigos verdadeiros e onde quer que eu esteja, o que quer que eu faça, sei que eles estarão ao meu lado quando eu precisar. Quando não preciso, eles somem, sabem que eu não preciso. Sem cobranças, sem dívidas, sem interesse maior do que uma troca de afeto, um carinho, uma conversa, um café.

Jamais poderia ser ingrata com 2012. Ele me fez envelhecer. E envelhecer é mágico. É aprender a ouvir mais, falar menos. Observar mais, agir na hora certa. É perceber nuances antes impossíveis. Entender como o tempo está a favor.

Por falar em tempo, claro que hoje é só m283279_539392006089459_781059175_nais um tempo que se acaba e outro que vem, marcado como especial em um calendário inventado por nós. Mas é o tempo de respirar fundo e desejar que no próximo ano que se inicia tenhamos mais tempo para agradecer, mais motivos para dizer obrigada.

Um minuto, uma virada. Um desejo, uma esperança. Fogos, brindes, comemoração: pelo tempo que findou e pelo tempo que vai começar. E alguém diz “Que você tenha 2013 motivos para se alegrar.” Eu digo: “Que você tenha 365 motivos para agradecer.” Claro que neste dia muita gente vai desejar zilhões de coisas boas para os amigos e até para os inimigos, pois é uma maneira de desejar a si mesmo. Então, deseje a si mesmo o que desejar aos outros todos os dias de 2013. Queira paz, amor, saúde, alegria, gentileza, carinho, sempre. Eles virão.

Feliz 2013, meus amigos, e obrigada por 2012!

Imagem: Namaqualand

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{Outubro 17, 2012}   Ada Byron King,…

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Ada Byron King, a condessa de Lovelace, foi uma das poucas mulheres a figurar na história do processamento de dados. Nasceu em Londres, no dia 10 de Dezembro de 1815. O seu nome de batismo foi Augusta Ada King, Lady Lovelace para a posteridade. O seu pai era Lord Byron, um poeta muito famoso, e sua mãe era Anne Isabelle Milbanke, da qual adquiriu o amor pela Matemática.

Seu pai deixou sua mãe um mês após seu nascimento e deixou a Inglaterra quatro meses depois, morrendo em 1823 na Grécia, sem nunca ter visto a filha. Herdeira de grande fortuna, sua mãe não queria que sua filha fosse poeta como o pai e procurou dar-lhe uma educação em matemática e música. Transitando com a mãe pela nobreza intelectual londrina, foi levada por Mary Somerville, uma tradutora de trabalhos científicos em Cambridge, para conhecer (1833) Charles Babbage, professor de matemática em Cambridge, conhecido como o inventor da Difference Engine, uma máquina de calcular que operava com elementos finitos.

Ada foi educada como muitos aristocratas da altura, através de tutores pessoais. Manifestou desde logo uma enorme aptidão para a Matemática. Seus estudos mais avançados foram feitos sob a supervisão de De Morgan. Então, ela utilizou seus conhecimentos matemáticos para criar programas para a máquina de Babbage, tornando-se a primeira programadora de computador do mundo. Inventou o conceito de subrotina: uma seqüência de instruções que pode ser usada várias vezes em diferentes contextos. Ela descobriu o valor das repetições – os laços (loops): deveria haver uma instrução que retornasse a leitora de cartões a um cartão específico, de modo que a seqüência pudesse ter sua execução repetida. Ela sonhava com o desvio condicional: a leitora de cartões desviaria para outro cartão “se” alguma condição fosse satisfeita.

Nos anos 70, a linguagem ADA foi desenvolvida e batizada em homenagem a Ada Lovelace. É baseada em PASCAL, sendo uma linguagem desenhada para ser legível e facilmente mantida.

Infelizmente essa brilhante cientista morreu de câncer, no dia 27 de Novembro de 1852, com apenas 37 de idade, e foi enterrada ao lado do pai que ela nunca conheceu.



{Junho 15, 2012}   Amor, Falso amor

Com tanto tormento no pensamento

Sonhas com meu corpo sobre o seu

Desejas que me afogue em tanto breu

Pensas que sonho com teu corpo sendo meu.

.

Em uma dança frenética que nos envolve

Tudo que resta é seu, não meu.

Em tanta luz que te cega

Tudo que fica é a sombra da dúvida.

.

Sozinho e frio é seu desejo

Amargo é o gosto do teu beijo

Chove pétalas no seu pensamento

Morres com nosso tormento.

.

Toda história que vives

Toda farsa que me torno

Toda verdade que surge com a alvorada

Toda mentira volta no início da madrugada.

.

Agora, com seu corpo sobre o meu

Agora, com a fantasia se realizando

Agora, tudo vai se completando

Agora, enfim, o amor parte em um único voo.            

                                                Gabriel Moreira – CEP



{Junho 15, 2012}   A assembleia dos ratos
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Ilustração: Gustave Doré

A assembléia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembléia para o estudo da questão.  Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

– Acho — disse um deles — que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.

Palmas e bravos saudaram a luminosa idéia.  O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra, um rato casmurro, que pediu a palavra e disse — Está tudo muito direito.  Mas quem vai amarrarar o guizo no pescoço de Faro-Fino?

Silêncio geral.  Um desculpou-se por não saber dar nó.  Outro, porque não era tolo.  Todos, porque não tinham coragem. E a assembléia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Dizer é fácil; fazer é que são elas!

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.



{Fevereiro 2, 2012}   Dois lados

 

 

Deste lado tem meu corpo
Tem o sonho
Tem a minha namorada me esperando
Tem minha vida, nossas vidas
Tem meu amor tão lento
Tem o caminho sendo preparado
Tem você do outro lado

Do outro lado existe ela pensando em nós dois
Tem a perfeição do seu sorriso
Tem o sonho não realizado
Tem meu amor sendo guardado

Georgia Bontorin

Que este amor, Georgia, não fique guardado!

Amor tem que ser amado, distribuído, gostado, visto, revisto e visitado.

Sonhos são realizados, fantasias não. Amor é sonho real na vida, não ilusão.

Feito de duas: pessoas, mente, posição. Feito de dois: lados, distinção, opinião.

Amado sempre e respeitado, tem tudo para ser frutificado. 

Adoro um amor inventado! Não acho nada exagerado.



{Fevereiro 2, 2012}   O peregrino

O oceano desprende de seu olhar

Susurros, nessa peregrinação

que é a vida, deixam vultos a navegar

O barco é seu bem colossal

Água doce que possui amargas pitadas de sal.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Perdoa-me, amarga peregrinação,

Mas falta de amor traz tanto rancor

Fator que desilude teu coração

Te assusta, fere e estraçalha sua alma com dor

e com golpes certeiros de pura obsessão.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Tanta solidão deve-se ao destino

O mesmo que vai e volta para matar

A cada vítima, aí está você sozinho

A cada movimento e a cada olhar, desabas

Com tanta tristeza que o segue, peregrino.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Pensando nos velhos momentos, choras, meu jovem,

Por ter trocado a segurança pela incerteza

Detalhe que o consome a cada instante

No seu semblante, pulsa a morte

De quem um dia considerava-se o forte.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

“Homem ao mar!!!” assim ele vai

Preso em seus próprios sonhos

Afogando-se em suas próprias escolhas

Parte, enfim, a vida desse jovem

Peregrinante que então vira peregrina_dor.

Gabriel Moreira

 

Leia mais: O velho e o mar – Ernest Hemingway 

 http://www.4shared.com/office/Hb3IG7V3/Ernest_Hemingway_O_velho_e_o_m.html



{Dezembro 9, 2011}   Modernismo – 3ª geração

Amo Guimarães Rosa…

Grande Sertão: veredas é maravilhoso…

Fita verde no cabelo emociona demais…

Mas Miguilim…

“Miguilim se deslumbrava. – “Chica, vai chamar Mãe, ela quer ver quanta beleza…” Se trançavam, cada um como que se rachava, amadurecido, quente, de olho de bago; e as linhas que riscavam, o comprido, naquele uauá verde, luzlino. Dito arranjava um vidro vazio, para guardar deles vivendo. Dito e Tomezinho corriam no pátio, querendo pegar, chamavam: – “Vaga-lume, lume, lume, seu pai, sua mãe, estão aqui!…”   Mãe minha mãe. O vaga-lume. Mãe gostava, falava, afagando os cabelos de Miguilim: – “O lumêio deles é um acenado de amor…” Um cavalo se assustava, com medo que o vaga-lume pussesse fogo na noite. Outro cavalo patalava, incomodado com seu corpo tão imóvel. Um vaga-lume se apaga descendo ao fundo do mar. – “Mãe, que é que é o mar, Mãe? Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d’água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. – “Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?” Miguilim parava. (…)”

Para ler mais: http://educacao.uol.com.br/portugues/critica-social-e-metalinguagem.jhtm

Para ver e ouvir mais: http://www.youtube.com/watch?v=glg5U65Z-Do



{Dezembro 9, 2011}   Cecília Meireles

Fio

 

No fio da respiração,

rola a minha vida monótona,

rola o peso do meu coração.

 

Tu não vês o jogo perdendo-se

como as palavras de uma canção.

 

Passas longe, entre nuvens rápidas,

com tantas estrelas na mão…

 

— Para que serve o fio trêmulo

em que rola o meu coração?

Para saber mais: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(16)14-25.html

😉



{Novembro 5, 2011}   Gregório de Matos

Tomás Pinto Brandão estando preso por indústrias de certo frade: afomentado na prisão por seus dois irmãos apelidados o Frisão e o Chicória, em vésperas que estava o poeta de ir para Angola

.

SONETO

.

É uma das mais célebres histó-,

A que te fez prender, pobre Tomá-,

Porque todos te fazem degradá-,

Que no nosso idioma é para Angó-.

.

Oh se quisesse o Padre Santo Antô-,

Que se falsificara este pressá-,

Para ficar corrido este Frisá-,

E moído em salada de Chicó-.

.

Mas ai! que lá me vem buscar Mati-,

Que nestes casos é peça de lé-;

Adeus, meus camaradas, e ami-.

.

Que vou levar cavalos a Bengué-,

Mas se vou a cavalo em um navi-,

Servindo vou a El Rei por mar, e té-.

.

Matos, Gregório de. Poemas escolhidos: seleção e organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p.192



{Outubro 16, 2011}   Premissas da vida

Se o amor fosse verdadeiro
Tudo sairia do mesmo ciclo rotineiro
Não existiriam falsas promessas, meu amor
Como uma dessas que você vive a citar.

Se o amor não fosse verdadeiro
Tudo pararia, não importando os derradeiros
Não existiriam verdadeiras analogias
Como a imperfeição de cada palavra sua.

Ah! Se o amor fosse o meu roteiro
Tudo aconteceria nas margens da imaginação
Pois a cada feito, haveria sempre um defeito.

Logo, a cada premissa haveria você
E a cada nova premissa haveria o amor
A conclusão, ficaria a cargo do coração.

Gabriel Moreira



{Setembro 20, 2011}   Urupês – Monteiro Lobato

O Engraçado Arrependido

Francisco Teixeira Pontes tinha 32 anos
Todos riam de suas piadas sem parar
Ele era um comediante natural
Mas um dia, com sua fama resolveu acabar

Ele queria virar um homem sério
Queria ser alguém como qualquer um
Tinha cansado da própria vida
Queria ser um homem comum

Tentou vários empregos
Mas com “qua qua qua” era respondido
Riam apenas de citar seu nome
Achou que já estava perdido

Então foi que ele soube de um emprego
Um de coletor federal
Mas era ocupado pelo Major Bentes
Que tinha um aneurisma fatal

Francisco contratou seu primo
E este lhe prometeu o cargo de coletor
Seria avisado logo após da morte do Major
Então Pontes planejou o assassinato com ardor

Sendo um comediante pensou
“Vou matar o Major de rir!”
O aneurisma não iria aguentar
Fazê-lo dar risada, ninguém pode me proibir

Indo a coletoria fazendo pequenos trabalhos
Conquistou o Major de pouco em pouco
Então finalmente Pontes o convidou para jantar
Para tentar fazê-lo rir como louco

Mas o plano não deu muito certo
O Major tinha cuidado com o aneurisma
Ria apenas timidamente
Pontes tinha que melhorar seu carisma

Pontes, porem pensou
“Todo homem tem seu ponto fraco”

Os do Major eram ingleses e frades
Enfim conseguiria por o velho no buraco

Depois de muita preparação
Criou uma anedota de um inglês, sua mulher e dois frades
Se o Major sobrevivesse
Prometeu dar um tiro na cabeça com toda a vontade

Então em um almoço no carnaval
Pontes começou a contar a piada
Major Bentes estava atento e adorando
E o momento do fim se aproximava

Pontes finalizou sua obra-prima
Em um ato rápido e cômico
Major Bentes riu mais alto que todos
Com um riso tragicômico

O Major caiu de cara no peixe e ali morreu
Apesar de ser planejado, Pontes se chocou
O assassino indireto correu pra casa
E lá por dias se trancou

Seu primo o ligou com péssimas notícias
A vaga de coletor já estava tomada
Pontes além de chocado, ficou sem emprego
Desejou nunca ter feito aquela piada

Pontes foi achado enforcado por uma ceroula
Um mês depois do assassinato do Major
Foi motivo de piada para toda a cidade
Então se ouvia, novamente, “quás” ao seu redor

 

http://prezi.com/vfwkhdyuzzb7/o-engracado-arrependido/

 

 

Trabalho maravilindo realizado pelas alunas Hevelin Sato, Maria Victória Garcez, Ana Lucia Faucz, Paola Gomes e Vitor Emanuel.

Parabéns! 



FUVEST E UNICAMP

ITA

O ITA não utiliza uma lista. Cobra um conhecimento geral da Literatura Portuguesa e Brasileira.

Exemplo de questão aplicada no Vestibular 2011.

Questão 38. A figura da prostituta aparece em diversos romances do século XIX. Por exemplo:

I. Em Lucíola, a protagonista Lúcia deixa a prostituição depois que se apaixona por Paulo, o que significa que o amor verdadeiro pode regenerar a mulher.

II. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Marcela consegue seduzir o jovem Brás Cubas, que lhe dá dinheiro e bens materiais, mas ela morre pobre.

III. Ao final de O cortiço, Pombinha rompe com o casamento e opta pela prostituição, e faz isso, em boa medida, por vontade própria.

Está(ão) correta(s)

A ( ) apenas I.

B ( ) apenas I e II.

C ( ) apenas I e III.

D ( ) apenas II e III.

E ( ) todas

Fonte: http://www.ita.br/vestibular/provas/portugues



{Agosto 30, 2011}   O 30 de Agosto

 

 

 

 

Palácio Iguaçu, 30 de Agosto de 1988

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



{Agosto 28, 2011}   Talentos

O talento artístico se manifesta em muita gente desde cedo. Não apenas na poesia, na música, nos esportes. No desenho também.

Fiquei impressionada com o talento de um dos meus alunos e divulgo alguns de seus desenhos.

Guilherme Furtado, Parabéns!



{Agosto 25, 2011}   LeMinsKi aNo

Aqui tou eu pra te proteger dos perigos da noite, do dia

Sou fogo, sou terra, sou água, sou gente, 

eu também sou filha de Santa Maria

Desencontrários (Paulo Leminski)

   Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
   Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
   Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

   Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
   Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
   para conquistar um império extinto.

Dia 24/08 (quarta-feira), o escritor curitibano Paulo Leminski completaria 67 anos. Para comemorar a data, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-PR) abrem a exposição “Clics em Curitiba”, com 24 painéis de fotos de Jack Pires associadas a poemas de Leminski, considerado um dos escritores brasileiros mais importantes da segunda metade do século 20.

As imagens e os textos foram originalmente publicados no livro “Quarenta Clics em Curitiba”, lançado pela dupla em 1976. A abertura da mostra é às 19h, em seguida, às 19h30, será exibido no Auditório Paul Garfunkel o documentário “Ervilha da fantasia – uma ópera Paulo Leminskiana”, do cineasta Werner Schumann

A programação ainda conta com a leitura dramática do texto “O dia em que morreu Leminski”, escrito pelo jornalista e dramaturgo Rogério Viana, também no auditório, às 17h30. A leitura é dirigida por Léo Moita e tem participação dos atores Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos.

Jack Pires foi um fotógrafo paulista radicado durante muitos anos em Curitiba, onde desenvolveu diversas atividades na Fundação Cultural de Curitiba e trabalhou em importantes estúdios fotográficos. Realizou, nos anos 1970 e 1980, valiosos registros do cotidiano da capital paranaense, num estilo que foi comparado ao de Henri Cartier-Bresson. Em 1976 convidou Leminski para associar seus poemas a diversos flagrantes registradas nas praças e ruas da cidade. O resultado é um livro de grande valor artístico e documental. [imprensa@seec.pr.gov.br]

Serviço:

Clics de Curitiba

Exposição de fotos do livro “Quarenta Clics em Curitiba”

A partir de 24 de agosto, às 19h

Visitação até 24 de setembro – Hall de entrada

Biblioteca Pública do Paraná – Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba.

Entrada franca

Mais informações: (41) 3221-4917

Veja mais: http://www.youtube.com/watch?v=MHkya98tKgs

Leia mais: 

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://www.releituras.com/pleminski_menu.asp

http://www.kakinet.com/caqui/leminski.htm



A peça de teatro solicitada pela UFPR para o vestibular deste ano não é fácil de ser encontrada.

Ela faz parte do Projeto Ágora, que conta com um espaço para publicações em seu site, e “ESTE ESPAÇO VISA INCREMENTAR A VEICULAÇÃO DAS IDÉIAS E DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PUBLICAÇÃO DE LIVROS, QUE SERÃO, SEMPRE QUE POSSÍVEL, DISPONIBILIZADOS GRATUITAMENTE NO SITE DO TEATRO PARA DOWNLOAD.”

A peça, que começa a partir da página 289,  é muito boa, numa linguagem extremamente fácil e sua leitura leva no máximo 1 hora. Contudo, nada impede que se leia o livro todo que está uma beleza!

Então segue o link: http://www.agorateatro.com.br/agorateatro/wp-content/uploads/2007/09/agora_livre_dramaturgias_miolo.pdf

Boa leitura!



{Agosto 22, 2011}   Sedução Poética 2011

Cora Coralina

Doceira por vocação, poetisa por natureza 

122 anos

Não sei se a vida é curta ou longa para nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe, braço que envolve,

palavra que conforta, silêncio que respeita,

alegria que contagia, lágrima que corre,

olhar que acaricia, desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta,

nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe

e aprende o que ensina.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver


/


Leia mais: http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm

http://www.senado.gov.br/noticias/fibra-de-cora-coralina-e-lembrada-como-exemplo-em-sessao-no-senado-nesta-terca.aspx

http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/



{Agosto 11, 2011}   Dia do Estudante

ELOGIO DO APRENDIZADO

Aprenda o mais simples!
Para aqueles
Cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas
Aprenda! Não desanime!
Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!

Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!

Frequente a escola, você que não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro:é uma arma.
Você tem que assumir o comando.

Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer
Veja com seus olhos!
O que não sabe por conta própria
Não sabe.

Verifique a conta
É você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: O que é isso?
Você tem que assumir o comando.

(Berthold Brecht in “Poemas 1913–1956”. São Paulo: Brasiliense, 1986.)

Parabéns a todas e todos!



{Agosto 7, 2011}   Sedução poética

Discurso – Cecília Meireles

E aqui estou, cantando. 

Um poeta é sempre irmão do vento e da água: 
deixa seu ritmo por onde passa. 

Venho de longe e vou para longe: 
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho 
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram. 

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória, 
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel. 

Pois aqui estou, cantando. 

Se eu nem sei onde estou, 
como posso esperar que algum ouvido me escute? 

Ah! se eu nem sei quem sou, 
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
(Meireles, 1982, p.17)

 

Arte Poética 

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

 

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges (1960)
Leia mais: http://www.webartigos.com/articles/61658/1/A-METAPOESIA-EM-VIAGEM-DE-CECILIA-MEIRELES/pagina1.html#ixzz1UJ3UaGO5



{Agosto 4, 2011}   Eu quero ser feliz agora…

Se alguém disser pra você não cantar

Deixar seu sonho ali pro um outra hora

Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora

Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora…

Eu quero ser feliz Agora 

Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferra, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover,
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela…

Eu quero ser feliz agora 

 



{Agosto 2, 2011}   Pequeno Cineasta

Foram prorrogadas as inscrições para o 2o.Festival Internacional Pequeno Cineasta. Os pequenos realizadores interessados devem se inscrever até 08 de agosto de 2011.

Crianças e jovens, de 08 a 17 anos, do mundo todo, podem inscrever seus filmes. Serão aceitos filmes de até 10 minutos de duração, nos gêneros de ficção, documentário, experimental e animação. A inscrição é gratuita.

O Festival será realizado em novembro deste ano na cidade do Rio de Janeiro. Além das Mostras Competitivas, haverá espaço para debates com profissionais das áreas de Cinema e Educação. Maiores informações estão disponíveis no site: www.pequenocineastafest.com.br



{Agosto 1, 2011}   Amores-imperfeitos?

Perfeito!

Virá com os passos mudos de uma reticência? …

 Cores, colagens, sons, emoção!



{Julho 30, 2011}   Grades Para Inocentes
Queria ser como pássaro
Voar, sem me preocupar
Voar e sentir o doce toque do ar
Queria apenas voar.

Logo, sou um pássaro
Pois aprendi a cantar
Aprendi a encantar
Mas logo não sei voar.

Minha beleza cobiçaram
Em grades me pregaram
Minhas asas atrofiaram.

Hoje sei o que é tristeza
Antes tinha leveza
Por favor devolvam minha pureza
Cobiçadores de riquezas.

                          Gabriel Moreira


{Julho 23, 2011}   O Rio e o Tempo

O Rio

A Cecília

O rio é uma língua bífida

que lambe não só a fimbria

das gargantas que a constringem,

mas também, porque lasciva,

suas mais profundas vísceras.

Lambe até o lodo e o limo

das frinchas onde se enfia

na terra que, concubina,

abre a úmida vagina

ao seu lúbrico apetite.

Na infância não vi o rio,

mas só praias e penínsulas,

lagoas e alvas restingas,

onde o sol e a maresia

inundavam-me as narinas.

Só depois, lá pelos quinze,

é que vi rugir o rio,

com suas súbitas iras,

seus pêlos em desalinho,

seu caráter ínvio e ríspido.

Era o sensual Paraíba,

com águas cor de ouro antigo

e bois nas margens furtivas

que devagar se moviam

quando as cheias as tangiam,

empurrando à superfície

toda sorte de iguarias:

almas penadas, espíritos

malignos, ermas pupilas

de afogados e facínoras,

a lembrança da menina 

que sorria entre os caniços,

abrindo-me as coxas lívidas

que ardiam como dois círios

à escura soleira do hímen.

Ó rios de minha vida:

os que cruzei sem ter visto

e os que fluem, com mais tinta,

no pélago das retinas

de quem agora os recria!

(…)

Ivan Junqueira

PANORAMA ALÉM

Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.

Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada…

Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém…. O ermo atrás do ermo: – é a paisagem daqui.

Tudo opaco… E sem luz… E sem treva… O ar absorto…
Tudo em paz… Tudo só… Tudo irreal… Tudo morto…
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?

Cecília Meireles



{Julho 23, 2011}   Dia da mulher negra

“Senhora de tudo, dentro de mim”

Obrigada, Li pela contribuição! 



{Julho 17, 2011}   De manhã

Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

Continua…

Saiba mais: http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp

Leia mais: http://elisreginapimentinha.zip.net/



Monumento à Alfonsina Storni em frente a praia La Perla em Mar del Plata

Voy a dormir
Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocío,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos escardados.

Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelación; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.

Déjame sola: oyes romper los brotes…
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides… Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido…

 

(Tradução de Héctor Zanetti)


Dentes de flores, touca de sereno,
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos…
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos

Para que esqueças… obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí…

*Poema escrito por Alfonsina Storni momentos antes de seu suicídio em outubro de 1938. Nasceu na Suiça, mas viveu na Argentina. Começou a trabalhar cedo, em diversas atividades: foi balconista, caixa, atriz e professora, pois precisava sustentar a si e a seu único filho. Teve 8 livros publicados e um câncer de mama. Seu corpo foi encontrado na praia La Perla, onde há um monumento em sua homenagem. 

 

Leia mais:

http://www.mercedessosa.com.ar/marcosmaster.htm

http://veluca13.wordpress.com/2009/10/03/mercedes-sosa/

http://es.wikipedia.org/wiki/Alfonsina_Storni

http://blogs.utopia.org.br/poesialatina/a-caricia-perdida-alfonsina-storni/

http://sopadepoesia.blogspot.com/2010/08/vozes-femininas-da-poesia-na-america-do.html



{Julho 12, 2011}   Re_fazendA

Leia mais:

http://www.jb.com.br/heloisa-tolipan/noticias/2011/07/12/discografia-de-gilberto-gil-pela-internet/

Eu ri: http://analisedeletras.com.br/gilberto-gil/refazenda/



{Junho 30, 2011}   Eu vou torcer, eu vou!!!

Para que a caminhada de cada uma e cada um que passou pelas minhas aulas neste semestre seja de inteiro sucesso! Foi uma honra ter estado com vocês.

Um recesso de paz a todas e todos!/

Para aqueles e aquelas que ainda não terminaram… rs

Até Julho… ;D

Será que ela leu “O Menino do Dedo Verde”, Maurice Druon?

Mais?: http://lercomereamar.blogspot.com/2010/07/o-menino-do-dedo-verde.html



{Junho 28, 2011}   Memórias do subsolo

VIII

– Ha, ha, ha! Mas essa vontade nem sequer existe, se quereis saber! – interrompeis-me com uma gargalhada. – A ciência conseguiu a tal ponto analisar anatomicamente o homem que já sabemos que a vontade e o chamado livre-arbítrio nada mais são do que…

– Um momento, senhores, foi justamente assim que eu mesmo quis começar. Cheguei até a me assustar, confesso. Ainda agora, quis gritar que a vontade depende diabo sabe do quê, e que talvez se deva dar graças a Deus por isto, mas lembrei-me da ciência e… me detive. E nesse instante começastes a falar. E, com efeito, se realmente se encontrar um dia a fórmula de todas as nossas vontades e caprichos, isto é, do que eles dependem, por que leis precisamente acontecem, como se difundem, para onde anseiam dirigir-se neste ou naquele caso, etc. etc., uma verdadeira fórmula matemática, então  o homem será capaz de deixar de desejar, ou melhor, deixará de fazê-lo, com certeza.  Ora, que prazer se pode ter em desejar segundo uma tabela? Mais ainda: no mesmo instante, o homem se transformará num pedal de órgão ou algo semelhante; pois que é um homem sem desejos, sem vontades nem caprichos, senão um pedal de órgão? Que pensais disso? Calculemos as probabilidades: pode tal coisa acontecer ou não?

– Hum… – retrucais. – As nossas vontades são, na maior parte equívocos devidos a uma concepção errada sobre as nossas vantagens. Se queremos às vezes um absurdo completo, é porque vemos nesse absurdo, devido à nossa estupidez, o caminho mais fácil para atingir alguma.

De fato, se a vontade se combinar  um dia completamente com a razão, querer algo desprovido de sentido e, deste modo, ir conscientemente contra a razão e desejar aquilo que é nocivo a nós próprios… E visto que todas as vontades e todos os raciocínios podem ser realmente calculados – pois algum dia hão de se descobrir as leis do nosso suposto livre-arbítrio -, então, deixando-se de lado as brincadeiras, será possível elaborar um espécie de tabela, e nós passaremos realmente a desejar de acordo com esta.

Durante toda a vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele.

Mesmo nos meus devaneios subterrâneos, nunca pude conceber o amor senão como uma luta: começava sempre pelo ódio e terminava pela  subjugação moral; depois não podia sequer imaginar o que fazer com o objeto subjugado. E o que há de inverossímil nisso, se eu já conseguira apodrecer moralmente a ponto de me desacostumar da “vida viva”…

 

Fiódor Dostoiévski

 



A’ Santa Thereza 

.

Reza de manso… Toda de roxo,

A vista no teto preza,

Como que imita a tristeza

Daquele círio trêmulo e frouxo…

.

E assim, mostrando todo o desgosto

Que sobre sua alma pesa,

Ela reza, reza, reza,

As mãos erguidas, pálido o rosto… 

.

O rosto pálido, as mãos erguidas,

O olhar choroso e profundo…

Parece estar no Outro-Mundo

De outros mistérios e de outras vidas.

.

Implora a Cristo, seu Casto Esposo,

Numa prece ou num transporte,

O termo final da Morte,

Para descanso, para repouso…

.

Salmos doridos, cantos aéreos,

Melodiosos gorgeios

Roçam-lhe os ouvidos, cheios

De misticismos e de mistérios…

.

Reza de manso, reza de manso,

Implorando ao Casto Esposo

A morte, para repouso,

Para sossego, para descanso 

.

D’alma e do corpo que se consomem,

Num desânimo profundo,

Ante as misérias do Mundo,

Ante as misérias tão baixas do Homem!

.

Quanta tristeza, quanto desgosto,

Mostra na alma aberta e franca,

Quando fica, branca, branca,

As mãos erguidas, pálido o rosto…

.

Leia mais:

http://conhecimentopratico.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/27/artigo206904-1.asp

 http://saopaulourgente.blogspot.com/2009/03/musa-impassivel-na-pinacoteca.html

 



{Junho 23, 2011}   Saciedade & Sociedade

“A novidade
que tem no brejo da cruz
é a criançada
se alimentar de luz…”

Chico Buarque

… luz da lua
Do sol a luz,
Mas sobretudo
é da luz de teu olhar
que me acumulo…
Da luz de tua presença
de teus sentimentos
iluminados
tanto os bons sentimentos
quanto os sentimentos
danados…
Da luz de tua esperança
minha espera se sustenta
é na luz de tua alma
que minha fome se alimenta…

Minha alma
tua alma
água pura de beber
água benta…

Lilian Capossi

 



{Junho 20, 2011}   Igualdade de Gênero

 http://www.igualdadedegenero.cnpq.br

Boa sorte, meninas! Que vença a melhor ou o melhor e ganhem todas e todos na promoção da Igualdade de Gênero!

Val, Obrigada!!! 😀



{Junho 17, 2011}   O despertar da primavera

Parabéns às formandas e aos formandos!



{Junho 11, 2011}   Bloomsday



Exposição fotográfica retrata comunidades linguísticas de Curitiba

Abertura
Será no dia 9 de junho, no restaurante Beto Batata do Alto da XV.
Mostra integra o projeto Usos da Língua: um estudo da diversidade linguística em Curitiba.
A diversidade cultural e linguística de Curitiba é o tema da exposição fotográfica Usos da Língua. A abertura acontece no dia 9 de junho, às 19 horas, no restaurante Beto Batata, no Alto da Rua XV. Na mostra, o fotógrafo Rodrigo Fonseca retrata o cotidiano de três comunidades locais que fazem uso de diferentes línguas: kaigang, iorubá e japonês. A visitação estará aberta de terça a sábado, a partir das 18 horas, até o dia 7 de julho.

A exposição integra o projeto Usos da Língua: um estudo da diversidade linguística de Curitiba. Entendendo a linguagem como patrimônio imaterial das nossas comunidades, a pesquisa identifica e registrar a multiplicidade de falares da cidade, demonstrando a presença de diferentes línguas em seus usos cotidianos, políticos ou rituais.

Comunidades
As fotografias de Rodrigo Fonseca foram realizadas durante as pesquisas de campo do projeto, que acompanhou o cotidiano de três comunidades que fazem uso das línguas estudadas pelo projeto. A língua kaingang, do tronco linguístico Macro-Jê, é falada por aproximadamente 24 famílias residentes na aldeia Kacané Porã, localizada no Campo do Santanta, no bairro Tatuquara. Vinda da África, a língua iorubá possui significado e uso ritual no terreiro de Candomblé Ile Asè Ojubo Ogùn, no Bairro Alto. Por fim, a língua de imigração japonesa está presente entre os frequentadores da Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba Nikkei, que fica no bairro Uberaba.

A equipe do projeto Usos da Língua: um estudo da diversidade linguística de Curitiba é formada por pesquisadores profissionais da área de ciências humanas. Durante as pesquisas de campo, foram realizados registros audiovisuais das comunidades estudadas, com a finalidade de documentar a diversidade linguística.

Visibilidade
Além da exposição fotográfica, o projeto resultará também em um DVD-ROM, que será distribuído nas escolas da rede municipal de ensino. Nas escolas também serão ministradas oficinas sobre diversidade linguística e cultural e educação patrimonial.

O objetivo do DVD-ROM, das oficinas e da mostra fotográfica é dar visibilidade às comunidades linguísticas, trazendo legitimidade e fortalecendo os laços de identidade social que unem seus falantes. O projeto também irá propiciar subsídios para a implementação de políticas públicas culturais e educacionais que colaborem para o respeito, a manutenção e o uso da língua como patrimônio imaterial.

Usos da Língua: um estudo da diversidade linguística de Curitiba é um projeto viabilizado pelo edital de Registro e Identificação do Patrimônio Imaterial, de 2010, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

Serviço:
Exposição fotográfica Usos da Lingua
Abertura: 9 de junho, às 19 horas
Visitação: de terça a sábado, a partir das 18 horas, até o dia 7 de julho
Local: Beto Batata Alto da Rua XV – Rua Professor Brandão, 678
Informações: (41) 3023-4956

Texto: André Pinheiro, jornalista 



Celso Bejarano
Especial para o UOL Educação
Em Campo Grande (MS)

Aos 16 anos e ainda sem completar o ensino médio, Isabel Tolentino ocupa uma das carteiras do curso de medicina da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande (MS), onde nasceu e mora.

Ela ingressou no curso por meio do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Aos 15 anos de idade, ela já podia ter ingressado no curso de engenharia de produção na Universidade Federal de Pelotas (RS). “Não quis isso porque estava no primeiro ano do ensino médio e não havia definido “se gostava ou não do curso”, diz Isabel.

Isabel teve de recorrer à Justiça para garantir seu ingresso na universidade. Até duas semanas atrás, ela frequentava medicina e o ensino médio ao mesmo tempo. Agora, com uma permissão concedida pelo desembargador Joenildo de Souza Chaves, do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), a garota pode continuar os estudos só no ensino superior.

Segundo o desembargador, a limitação de idade para cursar a faculdade refere-se apenas à “capacidade intelectual da pessoa”. Os impedimentos deixariam de existir por Isabel ter provado seus conhecimentos no Enem.

Filha única de um advogado e veterinário com uma psicóloga, Isabel diz que conseguiu a vaga por ter “estudado mais que os colegas” no ano passado. “Cursava o 2º ano durante o dia, mas à noite frequentava um curso preparatório para o Enem. Agora, com a decisão, estou aliviada e estudando menos.”

(…)

Leia mais: http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/06/09/garota-de-16-anos-ganha-o-direito-de-cursar-medicina-sem-terminar-ensino-medio.jhtm



{Junho 9, 2011}   CIÊNCIA E DIVERSÃO

MAIS UM CANAL DE COMUNICAÇÃO DO PARQUE DA CIÊNCIA!

Após  dois anos o informativo “Ciência e Diversão ” retorna para trazer as novidades do Parque da Ciência Newton Freire Maia. Você ficará por dentro das principais atividades do Parque, bem como de eventos, curiosidades e temas ligados à ciência e tecnologia.

Além deste informativo mensal, está no ar o Blog “Ciência e Diversão”, onde também é possível conferir os destaques do Parque porém, com mais detalhes e com a possibilidade de deixar seus comentários e sugestões.

Para conhecer o blog, acesse parquedaciencia.blogspot.com



{Junho 4, 2011}   Grande Desejo

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.

Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.

Adélia Prado



{Junho 4, 2011}   A um (a) poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

Olavo Bilac

 

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso 
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro 
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro 
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade



et cetera